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O Centro - n.º 15 – 29.11.2006 



 

 
 
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Slide 1: Inscreva-se em: Atelier de Pintura Iniciação em Artes Plásticas Exposição de fotografia de João Igor e de pintura de Luís Sargento até 21 de Dezembro Visite-nos em www.aelima.com ou Rua Gil Vicente, 86-A – Coimbra Telefone: 239 781 486 – Telemóvel: 917 766 093 DIRECTOR J O R G E C A S T I L H O Mais de 250 obras de arte em catálogo Conferências de Anatomia Artística João Araújo, D.O. OSTEOPATA Figueira da Foz – Consultas à 6.ª feira Marcações pelo telefone: 965 096 849 Rua Joaquim Sotto Mayor, 120 - Lj. 3 | Taxa Paga | Devesas – 4400 V. N. Gaia | Autorizado a circular em invólucro de plástico fechado (DE53742006MPC) Livraria Minerva Galeria Edições Minerva Coimbra Rua de Macau, 52 – Telefone: 239 716 204 Rua dos Gatos, 10 – Telefone: 239 826 259 email: livrariaminerva@mail.telepac.pt Coimbra ANO I BISPO DE COIMBRA EM ENTREVISTA AO CENTRO N.º 15 (II série) De 29 de Novembro a 12 de Dezembro de 2006 € 1 euro (iva incluído) As mulheres não devem ser padres, tal como os homens não podem ser madres PÁG. 4 a 6 DEFENDEU CAVACO SILVA EM COIMBRA, AO INAUGURAR OBRAS DO POLIS É urgente requalificar as nossas cidades Poluição rodoviária mata milhares de pessoas PÁG. 3 SOBRETUDO POR CAUSA DO MAU ORDENAMENTO Coimbra exposta a vários riscos naturais PÁG. 2 PÁG. 3 LIVROS LIVRARIAS CADA VEZ MAIS AMPLAS E DINÂMICAS Assinantes do “Centro” com 10% de desconto na compra de livros PÁG. 2 e 3 ASSINE O “CENTRO” E GANHE OBRA DE ARTE BAIXA DE COIMBRA EM MARCHA A REABILITAÇÃO Apenas 1.300 habitantes em 14 hectares PÁG. 24 Coimbra estimula a leitura PÁG. 8 a 12
Slide 2: DEFENDEU CAVACO SILVA EM COIMBRA, AO INAUGURAR OBRAS DO POLIS O Presidente da República afirmou no passado domingo, em Coimbra, ser urgente avançar com a requalificação das cidades, frisando que a qualidade de vida nestes espaços urbanos pode constituir “um factor de competitividade” de Portugal no mundo global. “Acredito que a qualidade de vida das cidades portuguesas pode ser um importante factor de competitividade de Portugal no quadro da globalização. É urgente avançar na requalificação das cidades portuguesas”, afirmou Aníbal Cavaco Silva, que presidiu à inauguração de três obras do programa Polis em Coimbra . Na sua perspectiva, “a melhoria da qualidade de vida nas cidades deve constituir um objectivo cimeiro da administração central, local e dos cidadãos”. “As cidades, pelas suas capacidades e recursos, são decisivas para o desenvolvimento da nossa economia”, vincou o Chefe de Estado. Classificando a intervenção Polis em Coimbra como “um bom exemplo de requalificação urbana”, Cavaco Silva observou, contudo, que “apesar dos esforços das últimas décadas nos domínios das infra-estruturas de transportes e de energia , dos equipamentos sociais e da habitação”, Portugal está confrontado com “novos fenómenos de degradação do ambiente urbano e, mais em geral, de perda da qualidade de vida nas cidades”. “À degradação do ambiente urbano juntou-se o alargamento das periferias das grandes e médias cidades portuguesas e o surgimento de novos fenómenos de exclusão social. Face a esta situação, é necessário agir com eficiência e determinação”, defendeu. No seu discurso, o Presidente da República preconizou também “uma nova atitude em matéria de energia nas cidades”, sublinhando que Portugal “enfrenta um desafio crucial neste domínio: reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, cumprir as metas europeias 2 COIMBRA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 É urgente requalificar as cidades para as energias renováveis e reduzir a sua dependência energética do exterior, em especial do petróleo”. “Temos de tirar mais partido dos nossos recursos naturais e de apostar numa maior produção de energia a partir de fontes renováveis. Mas temos, igualmente de melhorar a eficiência no consumo de energia. É necessário apostar numa maior eficiência energética nos edifícios, na indústria e nos transportes”, sublinhou. Pela importância das questões ambientais e energéticas, Cavaco Silva disse ter decidido que a próxima jornada do Roteiro para a Ciência será dedicada às tecnologias limpas. Ao intervir na sessão, o Presidente da Câmara de Coimbra, Carlos Encarnação, defendeu “uma mudança radical na política das cidades” e a conclusão das obras previstas no âmbito do Polis, lamentando ainda a escassez de programas para recuperar os centros das urbes. O Ministro do Ambiente, Ordenamento do Território e do Desenvolvimento Regional, Nunes Correia, afirmou, em resposta ao autarca social-democrata, que os programas Polis “nunca pretenderam resolver todos os problemas das cidades”. “A maior responsabilidade na resolução desses problemas cabe ao poder local, às câmaras municipais. O Estado tem um papel supletivo”, referiu o membro do governo. No âmbito do Polis de Coimbra, foram inaugurados no domingo a Ponte Pedonal Pedro e Inês, o Centro de Interpretação Ambiental e a entrada poente do Parque Verde do Mondego. Após a travessia da ponte pedonal da margem esquerda para a direita, Cavaco Silva era esperado por centenas de populares, sendo visíveis na frente da multidão dois cartazes onde se liam os dizeres “Despenalizar é aceitar o crime” e “Não à interrupção voluntária da gravidez”, tendo-se escutado também algu- O Bispo de Coimbra benzendo a nova ponte pedonal “Pedro e Inês” mas palavras de ordem como “Sim à vida” e “Ajude aqueles que não se podem defender”. PRESIDENTE APELA AO DINAMISMO DA SOCIEDADE CIVIL Antes de Coimbra, o Presidente da República, esteve em Arganil, onde apelou ao dinamismo da sociedade civil, considerando que quanto mais activa ela for, mais legitimidade tem para reclamar o apoio do Estado. “O país só tem a beneficiar com uma sociedade civil forte e dinâmica. Quanto maior dinamismo revelar, mais a sociedade civil dispõe de legitimidade par a reclamar o apoio do Estado. É justo ajudar aqueles que mais ajudam”, frisou o Chefe de Estado. O Presidente da República discursava na cerimónia de inauguração do Hospital de Cuidados Continuados Dr. Fernando Valle, da Santa Casa da Misericórdia de Arganil. Ao referir que o equipamento hoje inaugurado vai ser inserido na Rede de Cuidados Continuados Integrados, Aníbal Cavaco Silva louvou esta forma, “especialmente meritória, de aproveitamentos dos recursos” existentes no concelho, assente na articulação entre a Santa Casa da Misericórdia e as estruturas públicas do Serviço Nacional de Saúde. “Por meio desta salutar articulação, a Misericórdia e o Estado consegue m facilmente realizar aquilo que é o seu objectivo comum: promover o bem-estar dos portugueses e contribuir para a melhoria da qualidade de vida dos cidadãos, em especial dos mais carenciados, daqueles com maiores necessidades de saúde, dos mais idosos em particular”, salientou. Para o Presidente da República, “a criação de unidades descentralizadas para cuidados continuados responde, assim, aos desígnios de permitir a prestação desses cuidados em meio apropriado e de fazê-lo mais próximo do local da residência, das pessoas e do ambiente que é mais familiar aos doentes”. Director: Jorge Castilho Propriedade: Audimprensa Nif: 501 863 109 (Carteira Profissional n.º 99) Sócios: Jorge Castilho e Irene Castilho Inscrito na DGCS sob o n.º 120 930 Composição e montagem: Audimprensa – Rua da Sofia, 95, 3.º 3000-390 Coimbra - Telefone: 239 854 150 Fax: 239 854 154 e-mail: centro.jornal@gmail.com Impressão: CIC - CORAZE Oliveira de Azeméis Depósito legal n.º 250930/06 Tiragem: 10.000 exemplares No sentido de proporcionar mais alguns benefícios aos assinantes deste jornal, o “Centro” acaba de estabelecer um acordo com a livraria on line “livrosnet.com” (ver rodapé na última página desta edição). Para além do desconto de 10%, o assinante do “Centro” pode ainda fazer a encomenda dos livros de forma muito cómoda, sem sair de casa, e nada terá a pagar de custos de envio dos livros encomendados. Numa altura em que se aproxima o início de um novo ano lectivo, e em que as famílias gastam, em média, 200 euros em material escolar por cada filho, este Assinantes do “Centro” com 10% de desconto na compra de livros desconto que proporcionamos aos assinantes do “Centro” assume especial significado (isto é, só com o que poupa por um filho fica pago o valor anual da assinatura). Mas este desconto não se cinge aos manuais escolares. Antes abrange todos os livros e produtos congéneres que estão à disposição na livraria on line “livrosnet”. Aproveite esta oportunidade, se já é assinante do “Centro”. Caso ainda não seja, preencha o boletim que publicamos na página seguinte e envieo para a morada que se indica. Se não quiser ter esse trabalho, bastará ligar para o 239 854 150 para fazer a sua assinatura, ou solicitá-la através do e-mail centro.jornal@gmail.com. São apenas 20 euros por uma assinatura anual – uma importância que certamente recuperará logo na primeira encomenda de livros. E, para além disso, como ao lado se indica, receberá ainda, de forma automática e completamente gratuita, uma valiosa obra de arte de Zé Penicheiro – trabalho original simbolizando os seis distritos da Região Centro, especialmente concebido para este jornal pelo consagrado artista.
Slide 3: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 COIMBRA SOBRETUDO POR CAUSA DO MAU ORDENAMENTO 3 AFIRMADO EM DEBATE DO CONSELHO DA CIDADE Poluição rodoviária mata milhares de pessoas A poluição provocada pelas emissões dos escapes dos veículos automóveis mata milhares de pessoas todos os anos. Este o alerta lançado por Massano Cardoso, Provedor do Ambiente e Qualidade de Vida, em debate promovido anteontem à noite (segunda-feira) pelo Conselho da Cidade de Coimbra, na Casa Municipal da Cultura. Segundo Massano Cardoso, à medida que a Ciência evolui mais se descobrem os terríveis malefícios da poluição do ar que respiramos, pelo que importa tomar medidas para condicionar o trânsito automóvel nos centro urbanos. A primeira intervenção coube a Álvaro Seco, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra e especialista em transportes, que defendeu ser quase escandaloso que existam milhares de lugares de estacionamento na cidade de Coimbra, nomeadamente na zona central, que são gratuitos, o que representa um convite para que as pessoas tragam os carros para o centro urbano. Defendeu que é urgente rasgar a Ave- Coimbra exposta a vários riscos naturais Coimbra é uma cidade exposta a vários riscos naturais, mas a maior parte deles resulta do mau ordenamento do território, concluiu um debate realizado na passada quinta-feira, por iniciativa da Pró-Urbe. Intervindo no debate “Incêndios, inundações e outros riscos na cidade: que prevenção”, Alexandre Tavares afirmou que hoje se assiste “a um reflexo do que foi a ocupação da cidade” a partir da década de 70. “De 1985 até 2000, a expressão do espaço transformado, que era de 42 quilómetros quadrados, passou para 90 quilómetros quadrados, quebrando relações com o meio físico e provocando alterações em todo o concelho”, sublinhou o engenheiro geólogo, que criticou também as grandes movimentações de terras provocadas recentemente pela construção de duas grandes superfícies na cidade, e a sua colocação “em locais não naturais”. Para o geógrafo Lúcio Cunha, da Faculdade de Letras da UC, os principais problemas que se têm registado em Coimbra – inundações, incêndios, aluimentos – “estão no crescimento da cidade para áreas de - vai aumentar o estacionamento pago e a fiscalização APENAS 20 EUROS POR UMA ASSINATURA ANUAL! nida Central, com ou sem metro, fechar a rua da Sofia ao trânsito, e criar mais lugares de estacionamento pagos, em que as duas primeiras horas teriam preço simbólico, e as restantes teriam custos substancialmente mais elevados, para desincentivar o estacionamento na área urbana. O outro palestrante foi o Presidente da Câmara de Coimbra, que revelou que vão ser, efectivamente criados, mais de mil lugares de estacionamento pagos e que a fiscalização vai ser intensificada. Relativamente à polémica supressão da Ecovia, Carlos Encarnação referiu que o serviço vai continuar, só que em novos moldes, com o recurso aos autocarros normais, ficando os pequenos actualmente usados pela Ecovia para as carreiras com menos passageiros, nomeadamente as nocturnas. Carlos Encarnação referiu ainda a enorme injustiça que constituem as avultadíssimas “indemnizações compensatórias” pagas aos transportes colectivos de Lisboa e do Porto, enquanto os de Coimbra nada recebem. risco e no abandono das áreas rurais e dos pequenos espaços agrícolas”. Segundo o catedrático, as questões das inundações “resolvem-se facilmente” se forem respeitados os leitos de cheias, mantidos os espaços verdes na cidade, e limpas as ruas e as sarjetas. O problema dos incêndios é, para Lúcio Cunha, “uma questão muito difícil de resolver a curto e médio prazo”, apontando a falta de capacidade das autarquias e dos pequenos proprietários para limpar as matas como um dos entraves à resolução daquele flagelo. “A nova legislação sobre defesa da floresta é óptima, mas está desfasada do país real”, concluiu. Por seu turno, o professor José Manuel Mendes apelou a um maior envolvimento dos cidadãos nas questões de segurança e defendeu a criação de uma estrutura de protecção civil mais integrada, através de “um sistema mais democratizado e orientado para a prevenção, em vez do socorro”. “Não há desastres naturais, existem é desastres políticos, morais e culturais”, sublinhou o catedrático. Rua da Sofia. 95 - 3.º 3000–390 COIMBRA Nesta campanha de lançamento do jornal “Centro” temos uma aliciante proposta para os nossos leitores. De facto, basta subscreverem uma assinatura anual, por apenas 20 euros, para automaticamente ganharem uma valiosa obra de arte. Trata-se de um belíssimo trabalho da autoria de Zé Penicheiro, expressamente concebido para o jornal “Centro”, com o cunho bem característico deste artista plástico – um dos mais prestigiados pintores portugueses, com reconhecimento mesmo a nível internacional, estando representado em colecções espalhadas por vários pontos do Mundo. Neste trabalho, Zé Penicheiro, com o seu traço peculiar e a inconfundível utilização de uma invulgar paleta de cores, criou uma obra que alia grande qualidade artística a um profundo simbolismo. De facto, o artista, para representar a Região Centro, concebeu uma flor, composta pelos seis distritos que integram esta zona do País: Aveiro, Castelo Branco, Coimbra, Guarda, Leiria e Viseu. Cada um destes distritos é representado por um elemento (remetendo para respectivo património histórico, arquitectónico ou natural). A flor, assim composta desta forma tão original, está a desabrochar, simbolizando o crescente desenvolvimento desta Região Centro de Portugal, tão rica de potencialidades, de História, de Cultura, de património arquitectónico, de deslumbrantes paisagens (desde as Assine o jornal “Centro” e ganhe valiosa obra de arte praias magníficas até às serras verdejantes) e, ainda, de gente hospitaleira e trabalhadora. Não perca, pois, a oportunidade de receber já, GRATUITAMENTE, esta magnífica obra de arte, que está reproduzida na primeira página, mas que tem dimensões bem maiores do que aquelas que ali apresenta (mais exactamente 50 cm x 34 cm). Para além desta oferta, passará a receber directamente em sua casa (ou no local que nos indicar), o jornal “Centro”, que o manterá sempre bem informado sobre o que de mais importante vai acontecendo nesta Região, no País e no Mundo. Tudo isto, voltamos a sublinhá-lo, por APENAS 20 EUROS! Não perca esta campanha promocional, e ASSINE JÁ o “Centro”. Para tanto, basta cortar e preencher o cupão que abaixo publicamos, e enviá-lo, acompanhado do valor de 20 euros (de preferência em cheque passado em nome de AUDIMPRENSA), para a seguinte morada: Jornal “Centro” Poderá também dirigir-nos o seu pedido de assinatura através de: telefone 239 854 156 fax 239 854 154 ou para o seguinte endereço de e-mail: centro.jornal@gmail.com Para além da obra de arte que desde já lhe oferecemos, estamos a preparar muitas outras regalias para os nossos assinantes, pelo que os 20 euros da assinatura serão um excelente investimento. O seu apoio é imprescindível para que o “Centro” cresça e se desenvolva, dando voz a esta Região. CONTAMOS CONSIGO! Desejo receber uma assinatura do jornal CENTRO (26 edições). Para tal envio: Nome: Morada: cheque vale de correio no valor de 20 euros. Localidade: Profissão: Cód. Postal: Assinatura: Desejo receber recibo na volta do correio N.º de contribuinte: e-mail: Telefone:
Slide 4: As mulheres não devem ser padres, tal BISPO DE COIMBRA EM ENTREVISTA AO CENTRO Homem de uma invulgar simplicidade e simpatia que normalmente conduz o carro e aparece nos locais de forma discreta, D. Albino Cleto é o actual Bispo de Coimbra. Nasceu em Manteigas, em plena Serra da Estrela, em 1935. Foi ordenado padre em 1959 e colocado no Seminário de Almada, onde esteve 19 anos. Assume-se como beirão, embora tenha vivido quase meio século na capital. Foi na Universidade Clássica de Lisboa que se licenciou, em Filologia Românica. Em 1978 foi colocado como prior na Basílica da Estrela. Tornou-se bispo em 1983 e durante 15 anos foi Auxiliar do Cardeal Patriarca D. António Ribeiro. Nunca imaginou ser colocado em Coimbra, mas confessa que rapidamente se adaptou e gosta de aqui estar, tendo-se criado uma empatia natural. Na entrevista que nos concedeu nenhuma pergunta ficou sem resposta. Aqui fica o essencial dessa conversa informal. Jorge Castilho CASAMENTO DE PADRES E DE HOMOSSEUXUAIS 4 ENTREVISTA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Notícia recentes davam conta de que o Papa iria convocar a Cúria para tratar do problema do celibato… Uma questão como a do celibato nunca o Papa a resolveria apenas com os cardeais da Cúria. O Papa quis dialogar sobre questões atinentes, como, por exemplo, o pedido de dispensa de padres que pensam seguir outro caminho, ou o reingresso de padres que, por viuvez ou qualquer outro motivo, gostariam de ser reintegrados. É ainda o caso de muitos vindos de outras confissões cristãs. Aliás, em Outubro do ano passado, no Sínodo em que participei (e onde havia quase trezentos bispos de todo o Mundo), o Papa ouviu uma posição que, tendo embora bastantes votos no sentido de lhe pedir que a questão seja reconsiderada, a maioria foi no sentido de manter o celibato. E a sua opinião sobre o assunto? Sou nitidamente favorável à manutenção do celibato, e explico por quê: julgo que o que nós precisamos, antes de termos bastantes padres, é termos padres verdadeiramente apaixonados. Eu não critico outras confissões cristãs – e mesmo na Igreja há um sector na região da Síria, Palestina e parte da Turquia, onde os padres católicos são casados. Como até em Lisboa há um, de quem sou amigo, que obteve essa dispensa por ter vindo da Igreja Protestante. Portanto não critico essa atitude, mas não me abro à preocupação de termos muitos padres, porque correríamos o risco de estarmos a garantir a função, em vez de conseguirmos a paixão. Evidentemente que o padre realiza funções, mas não queremos que ela seja um funcionário. Por isso é preferível termos menos padres, mas que sejam verdadeiramente apaixonados, que não discutam a nomeação para esta ou aquela terra, que não tenham preocupações primariamente de família. Por outro lado, hoje posso dizer estas coisas mais à vontade, pois muitas coisas que eu via fazer o meu velho prior, hoje são feitas por leigos na diocese e isso tranquiliza-me. Para concluir esta questão: queira Deus que haja muitos padres e que eles sejam apaixonados; mas se amanhã houver uma mudança na legislação da Igreja, isso não me perturba nada. E o que pensa dos casamentos entre homossexuais? Lamento-os. Respeito a situação dessas pessoas que considero uma excepção naquilo que é a norma da Humanidade. E não gosto de lhe chamar casamento, embora reconheça neste sentido que há países que aceitam essa situação a que eu chamo uma amizade. Porque o conceito que eu tenho e casamento pressupõe a diferença de sexos. Não sou capaz de definir casamento a não ser como a união de pessoas de sexo diferente que se complemen- O PAPEL DA MULHER NA IGREJA tam e entre si estão abertas generosamente à fecundidade – quer ela seja física, com a geração de um filho, quer de outra ordem. E quanto ao papel da Mulher no seio da Igreja? Respeito a posição tomada pelo Papa João Paulo II, que a considerou uma questão, para ele, definitivamente estudada. Respeito os motivos que ele adiantou. O facto de a Igreja, durante séculos e desde o seu início, ter ligado o sacerdócio apenas a homens, torna essa questão do âmbito teológico. No âmbito pastoral penso que a Igreja ainda vai caminhar muito, confiando às Mulheres trabalhos importantes, não só no campo da catequização, da acção caritativa, como também no campo da liturgia e até da administração dos sacramentos. Penso que a Igreja ainda irá confiar às mulheres tarefas que agora ainda lhe estão vedadas. Mas essa posição não é rígida, atendendo ao papel de igualdade que a mulher tem vindo a conquistar? Nós temos ainda uma carga muito grande, vinda de séculos, que identifica igualdade com missão. Ora eu creio que igualdade deve ser na dignidade, no peso na construção da família e do Mundo. Mas não significa necessariamente identidade de tarefas. Deixe-me dar-lhe um exemplo: às vezes um pai pega no filho bebé e não se apercebe que ele tem febre, mas a mãe nem precisa de pegar nele para dizer que a criança está doente, pois a mulher tem uma intuição que o homem nunca terá. Por isso, no campo da educação cristã para a Fé, a mulher na Igreja é decisiva como mãe, como catequista, como líder de aprendizagem. Já vejo que o homem, pela sua constituição psicológica, está muito mais dotado, e as mulheres pedem-lho, para enfrentar situações discordantes. Infelizmente identificamos homem com força e mulher com sentimento. Está errado isso. Contudo, nestes últimos tempos as mulheres têm vindo a conquistar lugares em profissões que sempre foram exclusivamente masculinas. Aliás, desde há séculos que as mulheres se entregam também à Religião, ingressam em ordens, fazem votos… O que é que entende que as impede de poderem exercer o munus sacerdotal? Olhe, quando raparigas me fazem essa pergunta, eu respondo-lhes: “Sim, tu poderás ser padre quando eu puder ser madre!...”. Elas ficam irritadíssimas! Mas eu explico-lhes: “Aí estão duas funções que nunca serão confundíveis. Agora pensa o que tu, como rapariga, poderás fazer como Madre, que eu nunca poderei fazer, porque Madre é Mãe. E eu garanto-te que tu gostarás que um homem se assuma sempre como Pai”. Agora a questão é que a Igreja identifique sacerdócio com paternidade. Então eu digo-lhes: “Pergunta a Nosso Senhor Jesus Cristo e aos teólogos se isto tem mesmo de ser assim. João
Slide 5: como os homens não devem ser madres Paulo II disse que sim. Se daqui a amanhã a igreja identificar sacerdócio com maternidade, então tu serás Madre sacerdotisa, mas nunca Padre”. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 ENTREVISTA 5 PAPA NÃO É CONSERVADOR Não acha o actual Papa mais conservador do que João Paulo II? Não, de maneira nenhuma!… Mas é essa a imagem que ele transmite… Olhe que ela está a evoluir. Repare que, apesar do que recentemente se disse, de a Missa poder voltar ao missal anterior ao Concílio, o Papa acaba de ter um gesto que não leva a antever isso, ao nomear como responsável por essa área o cardeal brasileiro de São Paulo, que não defende essa perspectiva. Também a nomeação do seu novo Secretário de Estado, mostra que o Papa quer janelas abertas. Não é que o anterior as fechasse, mas este talvez tenha maior abertura. O que eu sinto é que este Papa é antes do mais um intelectual, nesse aspecto bastante diferente de João Paulo II, que também era um universitário, mas um homem muito mais vivencial. Por isso, na sua maneira de intervir, este Papa pensa e repensa as coisas, e os seus gestos são a conta-gotas. No campo da abertura às mulheres, o Papa tem de ter muita atenção a uma riqueza da Igreja que é a unidade. Ora, como ele é um apaixonado pelos caminhos ecuménicos e tenta, a todo transe, a unidade com a Igreja Ortodoxa, o Papa encontra aí um obstáculo, pois para os ortodoxos a hipótese de um sacerdócio feminino seria pior do que o assalto a Constantinopla. Mas se o Papa pensa e repensa, significa que a afirmação que ele fez recentemente sobre o islamismo, e que levantou esta onda mundial de protestos, foi bem pensada… Não sei. Há quem o pense… Mas eu admito que não, porque tenho verificado que o Papa, quando está no meio universitário, quase se esquece de que é Papa. Pude verificá-lo durante breves minutos no Sínodo dos Bispos, o ano passado. Durante três semanas, raro foi o dia em que o Papa não esteve no Sínodo. Habitualmente calado, sempre muito atento aos textos e às afirmações. Mas houve um dia em que uma questão secundária, relacionada com a “Última Ceia, Primeira Missa ou não?”, o Papa tomou a palavra, dizendo: “Não me ouçam como Papa, vou falar-vos como professor!”. Ora eu estou convencido de que na Alemanha, o seu País, ele preparou muito bem uma lição e fez uma citação… O sr. Bispo conheceu-o antes de ele ser Papa? Sim, estive com ele variadíssimas vezes, e sempre de passagem. Encontrei-me com ele quando estava com um grupo de peregrinos portugueses na Basílica de São Paulo. Reparámos num SACERDOTES FUNCIONÁRIOS bispo muito simpático e eu dirige-me a ele, que me disse que estava ali a presidir a uma peregrinação de alemães e se apresentou como Ratzinger. Ora o nome dele já era então muito falado. Passados anos, fui recebido por ele, já então Cardeal para a Congregação da Fé, sempre muito simpático, nunca inquisidor. NÚMERO DE SEMINARISTAS ESTÁ A AUMENTAR O sr. Bispo não receia que, com a crise de vocações a que se assiste, com a falta de padres, haja jovens que (tal como sucede noutras áreas, como no ensino), enveredem pelo sacerdócio não por convicção mas por oportunismo, para tentarem assegurar o futuro? Não receio isso porque o crivo hoje está muito mais apertado. Desde o chamado pré-Seminário, que é o acompanhamento do adolescente ou do jovem antes de ingressar no Seminário, como depois, ao longo de pelo menos sete anos de Seminário, há um diálogo muito grande, quer quanto à motivação quer quanto às capacidades do candidato. Por outro lado, os próprios candidatos, se porventura se deixassem fascinar por esse tipo de vida a que o povo chama “uma vida limpinha”, estão bem consciencializados de outras exigências e limitações que de cada vez são maiores. O povo hoje é muito mais exigente do que em tempos idos. A situação económica do padre, que é desafogada, já não é como a do antigo prior da aldeia, que era o único senhor que tinha carro e que não tinha que dar contas ao povo sobre os dinheiros gastos ou a hora da missa. Hoje já não é assim. Quer a partir dos educadores, quer a partir dos próprios. há uma situação séria. Mas para esclarecer melhor o que disse atrás, não significa que eu tenha desprezo por qualquer funcionário. A minha preocupação não é tanto pelos candidatos, mas antes com o povo. Porque o povo cristão não tolera ainda hoje um padre que seja meramente funcionário, mas no fundo é isso que por vezes está a pedir. Quando diz “Queremos um padre, mesmo que seja casado, o que o povo por vezes quer é os serviços a horas – a missa todos os dias, o funeral como o povo entende. Mas depois de servido, corre-se o risco de o povo dizer: “Não gostamos deste padre”. CRISE DE VOCAÇÕES MAIOR ENTRE AS MULHERES rios em Portugal. Era responsável por um Seminário em Almada, quando ele atingiu o auge: 173 alunos. Acompanhei o decréscimo até bater no número mínimo: apenas 11 alunos. Mas ainda tive a alegria de ver crescer o número e, sobretudo, mudar aquilo a que podemos chamar a qualidade. É que os 20 que eu deixei quando passei essa responsabilidade a outro padre, eram rapazes amadurecidos, alguns dos quais com a tropa já feita, vindos de liceus e universidades. E no Seminário de Coimbra? No Seminário de Coimbra temos 26 – um número que não é tranquilizante porque vêm de 5 Dioceses. Somos dos que tem menos gente em Portugal. De qualquer modo o número está a crescer. Mas deixe-me dizer-lhe que esta crise sacerdotal é tipicamente da Europa e da América do Norte, do mundo ocidental. Porque no mundo oriental e na América Latina (com excepção do Brasil) está a crescer imenso. IGREJA EM PORTUGAL POUCO AFECTADA PELA CRISE liaridade – lá está, que sejam mais pais e pastores do que funcionários. A verdade é que os seminários estão quase vazios… Permita que o corrija: não têm os altos números que tinham há 30 anos, mas estão em lento crescimento. Aliás, eu acompanhei toda a crise dos seminá- E o que se passa quanto às ordens religiosa femininas? Preocupa-me muito, a mim e a outros bispos, o decréscimo das vocações femininas. Paradoxalmente, em Coimbra, a congregação feminina que tem mais e melhores vocações é a das Carmelitas, provavelmente por ser a mais exigente, pela radicalidade da consagração. Mas congregações femininas têm muito poucas candidatas, porque aumentou o número de congregações. E acontece um outro fenómeno: são muito mais questionadas as raparigas na sua decisão, do que os rapazes. A um rapaz que decida ingressar no Seminário, dizem “Isso é lá contigo”. Uma rapariga que diga em sua casa, ou no seu grupo de amigas, que quer ser freira, é terrivelmente cercada, tentando dissuadi-la. Voltando aos padres, o seu número reduzido estará a provocar que se quebre a ligação estreita que antigamente existia entre eles e o povo… Temos paróquias em Portugal com menos de cem habitantes, pelo que lhe não daríamos um pároco, mesmo que o tivéssemos. E entre 100 e 500 habitantes, um número incontável. Mas, de facto, há um empobrecimento de uma das maiores riquezas culturais e religiosas de Portugal, que era a familiaridade entre o pastor e os paroquianos. Hoje há casos de um só padre que cuida de duas ou três paróquias, ou então um grupo de padres que cuida de todo um concelho (por exemplo, o de Tábua, que tem 13 paróquias, está entregue a dois padres). Interessante é que os paroquianos perguntam sempre: “Mas quem é o nosso?”. Temos pedido aos padres que cultivem os laços de proximidade e de fami- Perante a crise generalizada que se vive e o decréscimo dos católicos praticantes, qual é a situação da Igreja Católica? Não temos sentido problemas, em Portugal. Primeiramente porque, graças a Deus, os cristãos têm consciência da sua obrigação, sejam eles da cidade ou de aldeia. Hoje já não há a velha côngrua, que se pedia uma vez por ano, mas há o contributo mensal de quem, sentindo-se “sócio do clube”, sente-se também membro de uma comunidade. E assim contribui mensalmente, por vezes semanalmente, para a sua comunidade. Em segundo lugar, porque continua funcionar muito o brio “de ter bem tratado o nosso prior, porque gostamos dele, não o queremos perder” – o que leva muita gente a ser generosa, às vezes até mais para o prior do que para a igreja paroquial. Por último, se diminuem os párocos, é maior o número de contribuintes para uma mesma caixa. Isto tem equilibrado as coisas. Volta meia volta surgem casos de pessoas que se queixam de que o pároco não quis fazer o funeral de um familiar, o baptizado do filho, por não se estar perante católicos praticantes. Não lhe parece que e Igreja deveria ser mais tolerante? Tolerante a Igreja deve ser. Agora não confundamos tolerância com laxismo. Efectivamente, muitos dos serviços religiosos que nos são pedidos, nós olhamos para eles como actos sagrados, enquanto quem os pede por vezes vê apenas neles um gesto tradicional, de civilidade. Por exemplo, numa missa de funeral, verificamos muitas vezes que as pessoas não participam, pelo que facilmente se conclui que não são praticantes, não estão ali por um acto de fé, mas apenas por um acto protocolar que a família do defunto gostou de fazer. Outro exemplo: baptismos que nos são pedidos por famílias que não têm a mínima prática cristã. E outras situações: casamentos que não têm fundamento de estabilidade… Mas isso não é uma atitude prepotente e arbitrária da Igreja? Não! Para que, por exemplo, o casamento seja efectivamente um sacramento, portanto um acto sagrado no qual o próprio Deus garante que se compromete, supõe-se que nós também nos comprometemos a fazer o acto como deve ser. Se eu tenho noivos que não se comprometem a ser generosos tendo filhos, (Continua na página seguinte)
Slide 6: 6 ENTREVISTA (Continuado da página anterior) ou a serem fiéis a quem agora dizem que sim, eu duvido muito que esteja a fazer um acto como Deus o quer. Quando eu baptizo uma criança cujos pais me não garantem que a vão educar cristãmente, tenho a sensação de que eu próprio estou a faltar ao respeito a um acto religioso que, por natureza, é o ingresso na Igreja. Por isso, o que eu lamento é que alguns padres não saibam ser, delicadamente, exigentes, e sejam, porventura, funcionários, apresentando simplesmente a regra e condenando, sem mais, a pessoa que vem pedir. O que se deve fazer sempre é, com paciência e delicadeza, explicar às pessoas a exigência de uma acto sagrado. Não lhe parece que há muitos católicos que encaram a confissão como uma espécie de “lavandaria das almas”, onde vão regularmente redimir-se de actos condenáveis que praticam no seu quotidiano? Admito que haja alguns que o façam. Mas eu costumo dizer que a confissão não é limpar o pó do móvel, mas antes dar ao móvel um tónico para que ele melhore. Se só limpo o pó do móvel, ele fica exactamente igual. Quando aplico um tónico, é para melhorar, para amanhã ser mais forte. DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Bispo de Coimbra em entrevista ao “Centro” como ainda há pouco sucedeu com Ciudad Rodrigo, em Espanha, sendo chamado a pronunciar-me. Promover cursos, dialogar com a senhora Ministra da Cultura, conversar com a Polícia Judiciária sobre a segurança das igrejas e dos seus conteúdos – eis algumas das minhas tarefas. O FENÓMENO DAS SEITAS E A PRÁTICA CATÓLICA As seitas proliferam em Portugal e por esse mundo fora. Não terá isso a ver com o facto de a Igreja Católica se não ter actualizado, a ida à missa ser encarada como um ritual de sacrifício, enquanto as sessões das seitas são uma festa (embora quase sempre com um ingresso bem caro…), de onde as pessoas saem mais alegres? Estou de acordo. O fenómeno de migração de católicos para as seitas (que felizmente em Portugal não é tão acentuado como no Brasil e outros países), tem várias causas, algumas situadas na igreja de onde saem, outras nas seitas para onde vão. Mas, de facto, tenho de reconhecer que a Igreja Católica, sobretudo nos países onde é tradicionalmente maioritária, tornou-se pesada. Há um rito que para ser universal está muito marcado, as missas têm de ser iguais, porque o país era tradicionalmente fiel não houve desenvolvimento e criatividade litúrgica, fazem-se as coisas hoje como se faziam há cem anos. Outro factor é que, com a idade, as pessoas continuam como anónimas. Entram na missa e saem da missa sem ninguém lhes dizer “Olá! Como é que se chama? Como está?”. Por outro lado, as seitas são mais flexíveis, as pessoas sentem-se mais acarinhadas. E também não posso negar que há um factor que considero positivo, mas que nos está a levar muita gente. Na Igreja Católica temo-nos pre- Outro tema incontornável, pela sua actualidade, é o do aborto. Qual é a posição do sr. D. Albino Cleto? Fiel à vida! Portanto, não concordo com a facilitação que a lei prevê, pelas razões que a Conferência Episcopal tem aduzido, e que são, fundamentalmente, o princípio da dignidade do embrião como vida humana. O conceito de pessoa é discutível, porque entra na área jurídica, mas eu entendo que não pode depender de qualquer conceito jurídico de pessoa o respeito que eu tenho obrigação de ter por uma vida em embrião. Aquilo que tem sido publicado pela Conferência Episcopal, eu partilho inteiramente. Acrescento apenas uma coisa: faço isto não como um jogo que vamos ter para ver quem ganha, mas como um serviço à vida em toda a sua amplitude. O que significa que, depois do referendo, seja o resultado qual for, eu sei que, como bispo, vou continuar com esta luta, que vai ser uma luta de décadas. Porque sinto, muito sinceramente, a vida ferida e ameaçada. ocupado pouco com a formação, a começar pela instrução religiosa. Na seita, com meia dúzia de verdades o crente considera-se esclarecido. temos o termómetro nos chamados ofertórios nacionais, um dos quais, em Maio, é sempre para a comunicação social da Igreja. O resultado é mínimo! Em contrapartida, em tudo o que é sentimento, o povo é generoso: os seminários, porque lhes dão padres, as Missões, porque “coitadinhos dos pretinhos”. Se pedir dinheiro ao povo para construir a sua igreja ou capelinha, está paga a construção, porque aí entra o brio local. POSIÇÃO SOBRE O ABORTO PRINCIPAL PREOCUPAÇÃO É MANTER A IGREJA VIVA A OPULÊNCIA DE FÁTIMA Pregando a Igreja Católica a frugalidade, a temperança, a modéstia, como se compreende que esteja a erigir em Fátima uma basílica “faraónica? Uma das condicionantes que a Igreja tem é o respeito pela vontade dos doadores. Poderá dizer-me: “Mas os bispos têm a liberdade de a alterar”. Ora procuramos não o fazer. Portanto, compreendo que haja muita gente que em Fátima dá boas ofertas com a condição de serem gastas em Fátima, porque se forem, por exemplo, para a Universidade Católica, já não dão. Nós respeitamos isso, de maneira que os dinheiros que são para sustentação do clero, o povo ainda hoje faz uma diferença enorme. Por exemplo, se der o dinheiro para Santo António, ele não pode ser utilizado na festa de Nossa Senhora de Fátima. Daí que, na mentalidade portuguesa, há determinados sectores que para nós são fundamentais, mas que no pensar do povo não têm grande peso. Um deles é a comunicação social. Nós VALORIZAÇÃO DO PATRIMÓNIO DA IGREJA Entre outras responsabilidades, o sr. D. Albino Cleto é responsável pelo património artístico da Igreja… Não! Sou coordenador de acções de valorização do património, porque cada diocese é absolutamente autónoma quanto ao seu património, tal como cada paróquia o é. A minha intervenção é a de coordenar esse trabalho nas várias dioceses. Em muitas dioceses o inventário está feito, em outras está em curso. E já mesmo informatizado. Por outro lado, às vezes há uma exposição, até no estrangeiro, que pede algumas peças para uma exposição – Qual é a sua maior preocupação como Bispo de Coimbra? É uma preocupação que tenho partilhado com padres e leigos, e que é esta: construir, para que a Igreja, no futuro próximo, se mantenha viva e não dependa das estruturas que estão a desaparecer. Daí a necessidade de formação na Fé, nomeadamente dos leigos. Por isso temos uma escola de leigos e cursos destinados a aprofundar a mensagem cristã. Por outro lado, preocupa-me a preparação de muitos desses leigos para colaborarem com os respectivos párocos na realização de tarefas de várias ordem: da administração e também da celebração da fé, sendo eles próprios a presidir a momentos de oração e a realizar actos sagrados, como presidir a funerais, preparar baptismo e casamentos, celebrar o domingo quando não é possível o padre estar presente. E aqui já as mulheres têm também um importante papel. Aliás, enquanto os homens serão melhores na parte administrativa, para orientar obras, na parte da educação das crianças e jovens acho as mulheres com prioridade, pois têm muito melhores qualidades para esse efeito.
Slide 7: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 CÓDIGO DE SILÊNCIO UMA TV ANACRÓNICA (…) Na tropa como na bola e no seminário, enfim em sítios onde os homens tinham umas certas cumplicidades e davam as vidas uns pelos outros, estabelecia-se um código de silêncio em que nenhum bufava o companheiro, amigo camarada e palhaço. Até na mafia ou no supremo havia, e há ah!, um código de honra em que bufar era pior do que trair. Assim se fizeram grandes scorceses, puzzos e títulos nacionais mais de metade do jazz, do rock e da construção civil se erigiu à volta de princípios tão firmes como os de um aperto de mão. Qualquer gaja minimamente inteligente, e olhem que elas não nos ficam atrás por gosto, conhece o valor do silêncio, em cada amante, em cada esquina. Quando a diáspora inclemente nos obrigou a emigrar, porque éramos pobres, desditosos ou politicamente incorrectos, houve os que fizeram pela vida, nos seus desgraçados factos caros por medida, nos seus poemas estrangeirados por encomenda, nos seus tiques politiqueiros de serviço, nas nossas prostituições travestidas de charmes e vícios. (…) Rui Reininho JN 25/11/06 itações O FARDO DAS FARDAS É um facto que ninguém tem as mãos limpas nem está em condições de atirar a primeira pedra... mas o PS esteve sempre acantonado em modelos anacrónicos. Sócrates, que representa o PS modernizado a lutar por um país de progresso, é também uma esperança de mudança e revitalização do sector comunicacional. Mas os rumores... são mau presságio. Obrigar os operadores de televisão a manter as grelhas de programação a 48 horas da sua emissão é um absurdo, um anacronismo e um atentado aos interesses dos espectadores, ainda que tudo apareça sob o resguardo do argumento esfarrapado de que “é preciso avisar o público das alterações da programação com 48 horas de antecedência”. (…) Emídio Rangel CM 25/11/06 Os rumores sobre o conteúdo do anteprojecto de proposta de Lei da Televisão, que já tem a bênção do PSD, não auguram nada de bom. Parece uma maldição dos governos socialistas que ao longo destes anos de Democracia dificilmente conseguiram acertar o passo com as experiências comunicacionais mais bem sucedidas na Europa e nos EUA. O PS resistiu até ao limite ao aparecimento de novas estações de rádio e quando a situação se tornou insustentável lá aceitou a criação de rádios locais, sem a dimensão necessária para servirem com qualidade os seus públicos. O PS evitou até onde pôde a quebra do monopólio do Estado na televisão e a abertura de novas estações de televisão no País. O PS foi ‘pivô’ de quase todas as estratégias de ‘regulamentação’ de conteúdos nos meios de Comunicação Social e de tentativas de controlo, sob as capas mais diversas, dos órgãos do Estado. O passado do PS na área da Comunicação Social não é recomendável. A IGNÓBIL GUERRA PREVENTIVA (…) Não vale a pena discutir mais sobre se foi “passeio” de amigos e camaradas, ou “manifestação ilegal”. Não vale a pena zangarmo-nos mais com a questão de confundir as fardas (símbolo da especificidade militar) com as reivindicações (sinal daquilo que, no domínio militar, se aproxima da esfera civil, da segurança social às retribuições). Não vale sequer a pena olhar para trás. O que importa é ver, com muita clareza e realismo, o que poderão ser as nossas forças armadas, num país sem guerras, sem meios, com ameaças não convencionais e prioridades de desenvolvimento civil, que não passam pela compra de equipamento bélico. Cada governo fica, nesta área, prisioneiro de opções que foram tomadas a prazo, por outros, e que originam laços nem sempre desejados, mas que devem ser cumpridos. Cada governo que se constituiu depois das guerras de África, sabe que precisa de reformar o sistema de forças, a sua doutrina e as suas armas, mas também conhece a necessidade de, num meio que necessita de tranquilidade, não criar revoluções, quebras bruscas, ou projectos que seriam óptimos, em teoria, mas difíceis de aplicar, na prática. Não é diferente com a actual equipa. (…) Nuno Rogeiro JN 24/11/06 A noção de guerra preventiva, desenvolvida pela Administração Norte-Americana para justificar a invasão do Iraque. teve a anuência dos países que se reuniram nos Açores para apoiar e justificar essa decisão. (…) Em Junho do ano corrente a revista Science revelava que há uma lista de investigadores universitários iraquianos condenados a serem clandestinamente executados pela circunstância de serem iraquianos e universitários. Estas execuções inscrevem-se no MORTE NAS ESTRADAS propósito de eliminar alunos e docentes do ensino superior iraquianos de forma a impedir o desenvolvimento daquele povo e impor o predomínio da indústria militar sem qualquer oposição ou obstáculo mobilizador da opinião pública na defesa da paz e que justifica os assassinatos dos universitários como forma de os intimidar perante tal postura. (…) Esta denúncia foi negada por alguns dos órgãos de comunicação social do mundo ocidental. Contudo, em 23 de Maio do presente ano, o Professor Jasim Fiadh al-Shammari do Departamento de Psicologia da Faculdade de Letras da Universidade Al- Mustansiriya, em Bagdad foi assassinado na proximidade do campus universitário, sem desencadear uma pesquisa policial sistematizada. (…) A guerra preventiva é uma das mais ignóbeis formas de guerra. Nuno Grande (médico e professor universitário) JN 23/11/06 O INFERIOR ENSINO SUPERIOR OPINIÃO 7 (…) Ao longo do séc. XX as estradas europeias fizeram mais de vinte e cinco milhões de mortos. Uma verdadeira carnificina para a qual Portugal contribuiu generosamente. E se é verdade que a sinistralidade tem muitas causas, não duvido que, no conjunto, reproduzem práticas e atitudes que dizem muito sobre a nossa cultura cívica, o exercício dos nossos direitos de cidadania e sobre a nossa relação com os outros. Não é por acaso que a sinistralidade rodoviária acompanha de perto o desenvolvimento social e cultural de cada país. Por tudo isto, julgo que a redução da morte na estrada não é vitória de um governo, de uma polícia, de uma instituição. Mas uma vitória de todos. De pais, de professores, dos vários agentes culturais e formadores. E também do Governo e das Polícias. Talvez nunca houvesse uma guerra onde fosse tão necessária a participação de todos. E deve ser a única que não tem oposição interna. A não ser nós próprios, enquanto condutores. A começar logo na atitude perante as histórias trágicas que se contam. É sempre a irresponsabilidade dos outros, a inconsciência dos outros, a bebedeira dos outros. Se conseguirmos dar um passo em frente e percebermos de forma definitiva que não são os outros, mas somos nós, a coisa muda de figura. Ganharemos a consciência que neste esforço não existem inocentes e não entregaremos aos outros a nossa própria responsabilidade na prevenção e controlo dos nossos quotidianos para que a estrada não seja o primeiro passo para a brutalidade e o sofrimento. Na luta contra a sinistralidade rodoviária não há inocentes. Vamos ser todos, mas todos, a responder moral e civicamente se para o próximo ano o número de mortos voltar a ultrapassar o milhar. Francisco Moita Flores CM 20/11/06 COISAS FIXES (…) As escassas informações ontem tornadas públicas sobre os resultados da avaliação realizada pela ENQA (sigla que dá por identificada, a Rede Europeia para a Garantia da Qualidade no Ensino Superior) despertam-me imensa curiosidade para ler o documento integral. Não posso crer que a síntese das conclusões divulgadas corresponda à substância do trabalho levado a cabo pelos peritos internacionais. A serem apenas estas, estaríamos mais uma vez, sob o manto daquele adágio que parece ser um cartão de certificado que tanto reconforta os portugueses “o que é internacional, é bom”. Exactamente, o contrário do slogan que os produtores industriais e comerciais portugueses fazem defesa de honra:”o que é português, é bom”. Tudo somado, a grande conclusão é esta Dez anos de avaliação nacional das diferentes unidades de ensino superior e de centenas de cursos realizadas pelas diversas CAEs (Comissões de Avaliação Externa), nomeadas pela CNAVES – o Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior, pouco ou nada acrescentaram à qualidade do ensino. Mas seria necessário uma comissão internacional de peritos para chegar a esta conclusão? Sem discutir o conteúdo de muitos dos mil e quinhentos relatórios de avaliação sobre outros tantos cursos de instituições públicas e privadas, não bastaria uma súmula de alguns, para extrair essa conclusão? Nesse espaço de dez anos há cursos que foram repetidamente avaliados. Algumas comissões deixavam de forma bem patente a fraca evolução entre a primeira e segunda avaliação. E, sobretudo, registavam, por outras palavras, “a passividade dos vários governos” na avaliação que ao ministério da tutela teria de competir quanto à tomada de medidas e exigência pelo seu cumprimento. Vários aspectos não eram competência das CAEs, mas de equipas de fiscalização, porventura, nunca accionadas. Por outro lado, sempre os vários governos se recusaram a aplicar as sanções que obviamente deveriam ser executadas. (…) Paquete de Oliveira (sociólogo e professor universitário) JN 23/11/06 (…) Estavas numa manifestação de estudantes e nos ombros de uns amigos, segurando um cartaz que dizia: “Queremos tipo coisas fixes.” Quero dizer-te, miúdo com ar esperto, que é a coisa mais inteligente (aliás, a única) que veio dessas manifestações. Espero que sigas por aí: que queiras trabalhar muito e bem, a coisa fixe que mais tipo de coisas fixes te pode trazer. Espero que continues na onda do “queremos”, no sentido mais fixe que tem: as coisas chegam-nos porque “queremos” fazê-las, nunca nos são dadas. De ti só me desagradou que estivesses aos ombros de colegas. Permiteme um conselho: vai sempre por teu pé. Se for preciso, manifesta-te por isso. Ferreira Fernandes CM 24/11/06
Slide 8: NUM PAÍS COM POUCOS LEITORES SAEM 14 MIL TÍTULOS POR ANO 8 LIVROS DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Editam-se em Portugal mais de mil títulos por mês A falta de estatísticas sobre o mercado livreiro português é um dos problemas que os editores enfrentam actualmente, afirmou à agência Lusa Mário Moura, presidente do segundo Congresso de Editores que decorreu há dias em Lisboa. Mário Moura referiu que se está a editar em Portugal sem haver qualquer dado estatístico credível sobre o mercado. “Há oito anos que não temos dados estatísticos sobre o sector. Baseamo-nos apenas em palpites e conversas”, lamentou Mário Moura, também editor da Pergaminho. O presidente da União de Editores Portugueses (UEP), Carlos da Veiga Ferreira, também referiu à agência Lusa o mesmo problema: “Há falta de estatísticas em Portugal que nos permitam trabalhar”. Referindo que se editam em média cerca de 14 mil novos títulos por ano – o que dá mais de mil livros por mês –, o responsável da UEP afirmou que esses dados estatísticos permitiriam conhecer, por exemplo, “o estado da concorrência”. “A falta de informação é tão grave que corremos o risco de um editor publicar um livro que já saiu há cinco anos”, constatou Carlos Ferreira, sublinhando que actualmente os editores funcionam “de forma impressionista”. “É preciso ter uma ideia precisa do sector para se saber o que se vai editar”, rematou. O presidente da UEP recordou ainda que a ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, já assumiu publicamente o compromisso de reunir dados sobre o sector, numa parceria com o INE, a UEP, a Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) e o Instituto Português do Livro e das Bibliotecas (IPLB). A falta de formação dos livreiros, a ausência de apoios do Governo, a ausência de espaço nas livrarias que responda à quantidade de novos livros que são editados, assim como a questão da lei do preço fixo, que já tem dez anos, foram outros problemas apontados pelos dois responsáveis. O segundo Congresso de Editores, que decorreu na Fundação Calouste Gulbenkian, foi dedicado ao “livro e o futuro”, e contou com a participação de cerca de 70 editores portugueses. ACABA DE SER LANÇA NA GALIZA Poemas de autores portugueses foram publicados numa antologia multilingue agora editada na Galiza e que contempla as cinco línguas e tradições poéticas ibéricas, a par da poesia criada na América latina em castelhano e em português. A obra, intitulada “El otro medio siglo (1950-2000). Antologia incompleta de poesia iberoamericana”, tem chancela da editora galega Espiral Maior e foi apresentada na passada semana em Santiago de Compostela. Trata-se de uma iniciativa da Associación de Amigos da Universidade Libre Iberoamericana na Galiza (AULIGA) inserida no âmbito do VII Seminário de Tradução e Poética que decorreu em Rianxo (Corunha). Os autores portugueses seleccionados para a obra foram Carlos de Oliveira, Eugénio de Andrade, Mário Cesariny, António Ramos Rosa, Alexandre O’Neill, David Mourão-Ferreira, Fernando Guimarães, Ana Hatherly, Fernando Echevarría, Herberto Hélder, Albano Martins, António Osório, Ruy Belo, Pedro Tamen, Casimiro de Brito, Autores portugueses em antologia multilingue Fiama Hasse Pais Brandão e Nuno Júdice. Miguel Anxo Fernán-Vello, director da editora, destacou na cerimónia de apresentação o facto de ser esta “a primeira vez que se publica uma antologia multilingue com as cinco línguas ibéricas em pé de igualdade com o castelhano e o português-brasileiro” da América Latina. A antologia, assinalou, reproduz “um panorama simultaneamente completo e incompleto”, com a novidade de “representar todos os territórios de poéticas ibéricas – o basco, o catalão, o galego, o português e o castelhano –, conjuntamente com os poetas ibero-americanos de expressão portuguesa e castelhana” de países como a Argentina, Cuba, Venezuela, Uruguai, Colômbia, México, Nicarágua, Chile, Honduras, Costa Rica e Equador. É uma publicação “rica, não apenas na quantidade de poemas e textos de expressão poética que incorpora, mas também pelos ensaios e estudos que os acompanham”, realçou. Por seu lado, o presidente da AULIGA e director do VII Seminário In- ternacional de Tradução e Poética, Antonio Dominguez Rey, referiu que a obra tem “mais de 500 páginas nas cinco línguas iberoamericanas”, sendo 46 os autores galegos, portugueses e brasileiros antologiados. Justificando o título da antologia, explicou que os autores da primeira metade do século XX “são mais conhecidos” e entre 1950 e 2000 há muitos que “merecem sê-lo”. Entre os poetas brasileiros seleccionados figuram Affonso Ávila, Ferreira Gullar, Augusto de Campos, Adélia Prado, Wally Salomão, António Cícero e Alexei Bueno. Autores de língua castelhana antologiados foram, de Espanha, José Ángel Valente, Cláudio Rodriguez e Arturo Maccanti, e, da América Latina, Juan Gelman, Olga Orozco e Roberto Juarroz, entre muitos outros. Da língua catalã, dois dos representados são Josep M. Llompart e Pere Gimferrer, do basco Juan Maria Lekuona e Koldo Aguirre e do galego Manuel Maria, Uxío Novoneira e Xosé Luís Méndez Ferrin. “Oficina do Livro” muda de donos A editora Oficina dos Livros, que tem um volume de negócios de 10 milhões de euros, acaba de ver adquiridos 75 por cento do seu capital pela empresa portuguesa Explorer Investments. Em comunicado, a editora e distribuidora anunciou que a Explorer Investments, uma sociedade gestora de fundos, adquiriu 75 por cento do capital, ficando os restantes 25 por cento nas mãos de António Lobato Faria, que mantém a direcção da Oficina do Livro. A Oficina do Livro, responsável pelas chancelas Casa das Letras, Oficina do Livro e Estrela Polar, edita autores como Miguel Sousa Tavares, Margarida Rebelo Pinto, Gunter Grass e Herman Hesse. Além de deter agora a maioria do capital da editora, a Explorer Investments adquiriu participações em diferentes sectores, como a Alfasom, na área de comunicação audiovisual, e a rede de ginásios Holmes Place. Os novos accionistas, em parceria com a actual gestão, “apostam no surgimento de novas oportunidades de negócio num sector em crescimento e transformação”, refere ainda o comunicado.
Slide 9: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 LIVRARIAS CADA VEZ MAIS AMPLAS E DINÂMICAS LIVROS 9 Coimbra convida à leitura Longe vai o tempo em que as livrarias eram um local de mera aquisição de livros. O habitual conceito de livraria tem vindo a modificar-se gradualmente, fruto da emergência de uma nova tendência, onde as livrarias se alargam para dar origem a espaços mais agradáveis, lúdicos e pedagógicos. O cliente-leitor tem, assim, a oportunidade não só de comprar uma obra, mas também de a desfolhar calmamente no local de venda, e de participar noutras actividades de âmbito cultural nele promovidas. Coimbra viu nascer, num curto espaço de tempo, vários espaços como estes, de grandes dimensões, onde se alia o prazer de tomar um café ao de ler um livro. A iniciativa, porém, parece não ser nova nem ser exclusiva das grandes superfícies livreiras. Flávia Diniz dade, lêem a contracapa de um livro ou mesmo o seu interior. É o caso, por exemplo, da Livraria Almedina, no Estádio Cidade de Coimbra, da FNAC (Fórum Coimbra) ou da Bertrand (Dolce Vita). O objectivo é “fugir ao conceito tradicional de livraria” e “criar um espaço onde as pessoas se sintam bem”, como nos afirma Eva Moutinho, gerente da Almedina. Para ela, “a cafetaria é mais um motivo para as pessoas virem à loja” e é também “uma forma de as cativar”. “Tanto acontece as pessoas virem tomar um café acabando por levar um livro, como o contrário, virem comprar um livro e aproveitarem para tomar um café”, continua. No topo das vendas estão, no entanto, os livros, como nos garante André Serrão, funcionário da loja, ou não fosse a Almedina uma livraria por excelência. Além da cafetaria, a Almedina dispõe de um auditório onde se realizam apresentações de obras, exposições de pintura, ciclos de conferências ou eventos para crianças. A título de exemplo, os museus foram tema de discussão neste espaço até bem pouco tempo e agora fala-se sobre arquitectura. De recordar também o forte pilar jurídico sobre o qual sempre assentou esta livraria, e ao qual dedica um espaço considerável. Procura-se, desta forma, abordar diversos tipos de públicos, não subestimando, no entanto, o atendimento personalizado, como ressalva a gerente. São espaços inovadores que exploram as várias vertentes da cultura, atraindo as pessoas pela oferta variada, mas também pelos momentos de conforto, pausa e descontracção que proporcionam. Aliás, poder-se-á afirmar que o novo conceito de livraria surge precisamente neste contexto, ou seja, da necessidade de evasão ao stress quotidiano e de aliciar as pessoas para a leitura, numa era em que a imagem e a televisão predominam. Tânia, 23 anos, conhece a Almedina do Estádio Cidade de Coimbra há pouco tempo e já o considera muito bom. “É fantástico”, exclama, acrescentando que tenciona voltar “para ler e tomar café”. Como estudante de Arquitectura, mostra-se impressionada com o aproveitamento do espaço. Por sua vez, André Serrão, funcionário da loja, parece ser da mesma opinião, quando afirma, satisfeito, que gosta de ali trabalhar e que “a modernização é um estímulo”. Mas toda esta dinâmica cultural não é apenas privilégio das novas livrarias, que se enquadram no conceito de “grande dimensão”. Existem livrarias, como a Minerva Coimbra, situada na Rua de Macau (Bairro de Norton de Matos), que, num espaço bem mais reduzido, conseguem ser tão polivalentes e diligentes quanto as outras. Livro sobre robôs industriais lançado nos Estados Unidos e na Europa Um manual académico sobre programação de robôs industriais, da autoria do docente de Coimbra Norberto Pires, com inúmeras aplicações na indústria e outras ainda em fase laboratorial, é apresentado depois de amanhã (dia 1 Dezembro), na Universidade de Estugarda (Alemanha). O autor é o responsável pelo Laboratório de Robótica Industrial do Departamento de Engenharia Mecânica da Universidade de Coimbra, e a obra (escrita em inglês), intitula-se “Industrial Robots Programming – Building Applications for the Factories of the Future” (Programação de Robôs Industriais – Construir Aplicações par a as Fábricas do Futuro). Já à venda, desde Outubro, na América e em alguns países da Europa, onde foi publicado pela editora internacional de obras científicas Springer, o livro foi lançado na passada semana em Coimbra, na Livraria AlmedinaEstádio. “É um livro de ponta, de um cientista que trabalha com a indústria”, disse à AUTOR É PROFESSOR DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Ler um livro num café ou tomar café numa livraria? Eis um dilema com que qualquer amante das letras certamente já se confrontou. Isto, porque, hoje em dia, já existem livrarias com cafetaria, um espaço onde as pessoas podem sentar-se e tomar um café, ao mesmo tempo que se colocam a par da actuali- TAMBÉM AS LIVRARIAS NÃO SE MEDEM PELO TAMANHO Em algumas livrarias mais tradicionais, que gozam de uma área menor, existe também lugar para a criatividade e a proactividade. Foi na Minerva Coim- bra que surgiu a ideia de oferecer café aos clientes – de notar que o café, aqui, é mesmo gratuito –, convidando-os a sentarem-se e, confortavelmente, consultarem obras do seu interesse. Foi também esta a primeira livraria de Coimbra a começar com tertúlias. Romance, poesia, ficção, ciências sociais e humanas, arte e temas da actualidade são discutidos regularmente desde há cinco anos. Além disto, fazem-se sessões de leitura pedagógicas com as Escolas (existe, inclusive, na livraria, um espaço infantil para as crianças), lançamentos de livros, palestras e conferências, onde se debatem temas que “são preocupação da cidade”, como refere Isabel Garcia, gestora da livraria. “Interessa-nos que a cidade venha até nós”, continua, “porque é com as pessoas que uma livraria se mantém viva”. Há também que “manter viva a cultura, partilhar experiências e conhecimentos”, conclui. E porque o leque de alternativas culturais da livraria é vasto, importa ainda fazer referência às sessões de música ao vivo e às exposições de pintura e escultura. Relativamente à recente abertura de novas livrarias de grandes dimensões em Coimbra, Isabel Garcia considera que é uma mais-valia para todos: “A cidade só tem a ganhar com isso”, afirma, acrescentando que ninguém fica a perder porque “como editores, também podemos pôr lá os nossos livros” e “todos temos os nossos públicos e frequentadores habituais”. PRESENTE EM COIMBRA DESDE 1970 Remonta a 1970 a presença da Livraria Bertrand em Coimbra, contando, actualmente, com cerca de 30 colaboradores nas suas quatro livrarias. Em Outubro desse ano, esta centenária rede livreira inaugura a sua primeira livraria nesta cidade, num dos seus locais de eleição: o Largo da Portagem. No entanto, com o surgimento na urbe conimbricense das grandes superfícies, facultando a criação de centros comerciais capazes de gerar grandes fluxos de público, dá-se uma forte aposta, como forma de acompanhamento do desenvolvimento das cidades onde se encontra, com a abertura, no final da década de 90, da loja situada no CoimbraShopping. Na sequência desta sua política comercial, recentemente, em 2005 e 2006, reforçou a sua presença e visibilidade em Coimbra, investindo no agência Lusa o físico Carlos Fiolhais, que interveio na sessão de lançamento em Coimbra, a par com o Autor e Joana Teles (Matemática), Luís Menezes (vice-presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências e Tecnologia (FCTUC), e Fernando Guerra (Pró-Reitor da UC). O professor da FCTUC apresenta também, entre outros, sistemas de controlo de robôs pela voz ou através de um PDA ou de canetas digitais, que ainda se encontram em fase laboratorial. “Os exemplos estão todos documentados. O livro encontra-se associado a um sítio na web com o software que usamos e que pode ser descarregado”, disse ainda o engenheiro físico, ao frisar que a obra “é utilizável em qualquer parte do mundo e vai manter-se actualizada”. Segundo Carlos Fiolhais – galardoado recentemente com o Prémio Rómulo de Carvalho, instituído este ano pela Universidade de Évora – o livro “tem interesse e amplitude e público internacional”. Livraria Bertrand Dolce Vita e no Forum Coimbra. Há a assinalar o facto da loja localizada no centro comercial Dolce Vita trazer para esta cidade um conceito diferente: a Mega Store, onde, para além do comércio livreiro, recupera a tradição das tertúlias, onde nomes como Alexandre Herculano ou Eça de Queirós outrora pontificaram, com a existência de um café, assim como de um auditório. Sob o lema “desde 1732 que o convidamos a ler”, a Livraria Bertrand é uma das principais referências em redes livreiras cuja história se confunde com a das próprias livrarias em Portugal. Para a Livraria Bertrand, Coimbra é uma cidade e região de enorme importância e, por esse facto, onde pretende cimentar a sua presença e reforçar a sua imagem.
Slide 10: 10 L I V R O S DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Lançado primeiro livro de poesia de Manuel dos Santos Manuel dos Santos acaba de lançar o seu primeiro livro de poesias, intitulado “Algumas coisas com importância”, e editado pela MinervaCoimbra. A apresentação, que decorreu no anfiteatro da Escola Superior Agrária de Coimbra, esteve a cargo de Alfredo Maia, Presidente do Sindicato dos Jornalistas, que aludiu à obra no sseguintes termos: “Este «Algumas coisas com importância» interpela-nos acerca do modo como cada um de nós rege os seus dias nessa marcha do tempo – incessante, complexa, armadilhada com contradições, animada por avanços e conquistas e angustiada por retrocessos”. De acordo com Alfredo Maia, Manuel dos Santos faz do seu livro “um manifesto de exortação e de resistência”, levando os leitores ao ‘questionamento’ e ao “combate, aqui e ali polvilhado com estrofes de esperança e de amizade”, sempre “animado pela convicção de que cada um de nós tem o dever irrenunciável de sonhar, de propor, de agir, de resistir”. A escrita de Manuel dos Santos sugere, segundo Alfredo Maia, uma “rotura CONFESSA O ESCRITOR NO MÉXICO O escritor português António Lobo Antunes confessou, na passada sextafeira, que nunca fez um livro sobre a guerra que viveu de perto em Angola, vivência que o marcou para sempre mas de que é incapaz de falar. “O mais importante da guerra para mim, e para além de continuar com os meus mortos no meu sangue (…) foi a descoberta da camaradagem”, confessou, numa conferência de imprensa o escritor que está a participar, com out- deliberada com certos modos de pensar e de fazer poesia”, na qual o poeta mergulha, lançando mão de metáforas e repudiando “a inutilidade ofensiva da palavra que não germina, que não produz, que não transforma, mas que ludibria, que atraiçoa”. Manuel Ferreira dos Santos nasceu em Coimbra em 1950 e reside em Eira Pedrinha, Condeixa-a-Nova. Possui o curso de Regente Agrícola pela Escola Agrícola de Coimbra e a licenciatura em Biologia pela Universidade de Coimbra. Foi técnico do Ministério da Agricultura até 1989 e, desde então, tem sido responsável pelo Instituto da Conservação da Natureza na região Centro. Lobo Antunes incapaz de falar da guerra de Angola ros 350, na feira Internacional do Livro de Guadalajara (FIL), no México. “Eu todos os meses almoço com os oficiais da companhia. Somos poucos, quatro, e nunca falamos da guerra. Falamos de outras coisas mas não disso”, assinalou Lobo Antunes. “Ainda hoje, quando estou com eles os soldados, os oficiais, os sargentos existe entre nós uma ligação tão forte que nada pode destruir. Não é amizade, não é amor, é uma coisa muito mais forte porque vivemos juntos os momentos mais horríveis das nossas vidas. Isto deu-nos uma ligação muito forte”, assegurou o escritor. Lobo Antunes estudou Medicina e por tradição familiar optou pela Psiquiatria, profissão que compatibilizou com a escrita. Em Fevereiro de 1961, começou a guerra da independência de Angola e o escritor foi chamado para o Exército português como médico de campanha. Naquela guerra, ficou ferido com gravidade e regressou a Lisboa. Já curado dedicou-se à Psiquiatria, profissão que só durante uma curta etapa da sua vida considerou interessante e que abandonou em 1986 para dedicar-se plenamente à Literatura. “A primeira vez que entrei num hospital psiquiátrico tinha a impressão de estar num filme de Fellini e na casa da minha avó”, declarou o escritor português. Sobre a guerra assinalou que “não há ninguém que tenha passado por uma e que volte igual. (É) o absurdo, a injustiça, ninguém ganha a guerra, todos perdem, todos”. Considera que dos conflitos bélicos “é impossível falar devido à crueza das experiências que neles se vive”. “Jamais fiz um livro sobre a guerra. Poderia fazer-se um ensaio, um documento mas, por respeito para com os mortos, penso que não tenho esse direito. Mas, evidentemente, que isso mudou muito em mim”, acrescentou. Assinala que tem prazer na leitura, não acontecendo o mesmo com a escrita, a actividade pela qual foi reconhecido internacionalmente. “A primeira parte dos livros é muito difícil e nunca se está seguro do que se está a fazer. Fica-se cheio de dúvidas. Ficaria encantado de estar cheio de luminosas certezas mas não o estou. Estou cheio de dúvidas”, assegura. “Creio que a única coisa que aprendi com os anos é que tudo o que a vida te dá é um certo conhecimento dela, que chega sempre demasiado tarde. E escrever e viver necessita de toda uma vida para aprendê-lo. Eu ainda estou a aprender uma coisa e outra”, acrescenta. A sua trajectória literária foi reconhecida com numerosas distinções como os prémios Rosália de Castro, concedido em 1998 pelo Círculo de Escritores Pen Club da Galiza, o Grande Prémio de Romance outorgado em Junho de 2000 pela Associação Portuguesa de Escritores pela “Exortação aos Crocodilos” e Prémio de Literatura Europeia do Estado Austríaco 2000. Os seus romances foram traduzidos para numerosos idiomas, inclusive o coreano.
Slide 11: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 TRADUZIDO POR AGOSTINHO ALMEIDA SANTOS LIVROS 11 Alerta preocupante em lançamento de livro sobre contracepção Albino Aroso, médico que já foi Secretário de Estado da Saúde, deixou há dias, em Coimbra, um preocupante alerta relativamente ao decréscimo da natalidade. Sublinhando que “uma mulher que tenha um filho é uma heroína” e que “o nascimento de uma criança num país da Europa é um enorme benefício para esse País e para a Europa”, o especialista referiu que se os índices de natalidade continuarem a baixar ao ritmo a que se vem assistindo, dentro de dois séculos a população europeia terá praticamente desaparecido. Este alerta foi deixado na intervenção que fez na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, ao apresentar um livro intitulado “Contracepção”, da autoria do especialista francês David Serfaty, editado pela Fundação Calouste Gulbenkian e traduzido por Agostinho Almeida Santos, catedrático da Faculdade de Medicina e Director dos Hospitais da Universidade de Coimbra. Ao usar da palavra, Agostinho Almeida Santos lembrou que há 42 anos se vem empenhando na investigação e na prática de novos métodos para conseguir o nascimento de crianças, pelo que poderia parecer estranho aparecer agora como tradutor de uma obra sobre contracepção. Contudo, aceitou o convite da Gulbenkian por reconhecer a importância científica da obra de um colega que conhece há muitos anos e muito preza, e que constitui um trabalho de referência para a aprendizagem universitária e para o ensino pós-universitário. Lembrou que a medicina da reprodução é um dos aspectos da Saúde da Mulher, sector pelo qual ele muito se tem batido. Manifestou também grande preocupação pelo declínio demográfico a que se está a assistir em Portugal, e sublinhou que em França, apesar da população estar mais esclarecida do que em Portugal sobre os métodos de contracepção, a taxa de natalidade está a aumentar, o que significa que necessário é que os cidadãos sejam mais conscientes e tenham condições adequadas para inverter essa tendência. A encerrar a cerimónia (que contou ainda com a interpretação de algumas peças musicais por elementos da Orquestra Clássica do Centro), o Reitor da Universidade, Fernando Seabra Santos, disse da sua satisfação por ali estar a decorrer o lançamento de uma obra de grande actualidade e importância. Sublinhou que o poder hoje deverá ser o do conhecimento e da sabedoria, congratulando-se com o facto de em Coimbra, no cimo da colina, não haver uma catedral, um castelo, um palácio, mas sim uma Universidade.
Slide 12: REABILITANDO A LITERATURA DE CORDEL 12 L I V R O S DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Editora “Apenas” com 200 títulos em 16 colecções Existe em Portugal uma editora invulgar, ou mesmo única, que surgiu quase por brincadeira para se transformar numa coisa muito a sério. Chama-se “Apenas” e a sua criadora é Fernanda Frazão, que depois de ter trabalhado muitos anos na área da edição (nomeadamente na Dom Quixote), se apercebeu de que havia muitos autores cujos trabalhos não eram acolhidos pelas editoras, por serem pouco conhecidos, pelos temas abordados não serem muito vendáveis – enfim, por razões diversas que os impediam de editar as obras, já que também não tinham meios para o fazer. Fernanda Frazão pensou que talvez houvesse uma forma de concretizar as aspirações dos autores de muitos desses trabalhos a que reconhecia mérito: reabilitar os chamados “livros de cordel”. E avançou com a experiência. Ela própria pagina os livrinhos, que são impressos sem luxos, com uma capa de papel pardo. E é também ela que, quase sem ajudas, agrupa as páginas e as ata com o tradicional cordel, um a um. Também acontece haver patrocinadores para algumas obras – patrocínio esse que se traduz, normalmente, pela aquisição de determinado número de exemplares. “Estrepes” de José d’Encarnação BERTRAND LIVREIROS E é ainda ela que procede à respectiva distribuição, de forma directa. Um amigo engenheiro engendrou-lhe um escaparate adequado para pendurar os livrinhos, e eis que eles começaram a ser colocados em livrarias de Lisboa, primeiro, e depois, perante o êxito alcançado, em muitos outros pontos do País. Hoje estão em cidades de Norte a Sul. A verdade é que, como nos confessa a própria Fernanda Frazão, o que principiou quase a brincar foi crescendo de forma surpreendente, de tal modo que, em poucos anos, a “Apenas” editou já cerca de duas centenas de obras de diversos géneros, distribuídas por 16 colecções! Por exemplo, a colecção “ora e outrora – curiosidades da cultura portuguesa” (dirigida por Margarida Leme), já tem quase duas dezenas de títulos, de autores como Sousa Viterbo até Júlio Dantas, passando por Alberto Pimentel. O preço dos livros varia em função do número de páginas. Alguns deles custam apenas 2 euros! A edição mais recente foi o livro de comentários intitulado “Estrepes”, da autoria de José d’Encarnação, que tem já outras obras editadas pela “Apenas” – como “Sintra, a sedução e o mistério…”, na colecção “ora e outrora”, “Pelas veredas da História… em São Brás de Alportel” e “Cecília Marina, Ossonobense”, na colecção “ofiusa”. Quanto a “Estrepes”, inclui uma selecção dos comentários que José d’Encarnação (Professor da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e reputado arqueólogo), publicou sob o título genérico de “Pois” numa secção regular que manteve no “Jornal de Coimbra”, e que agora prossegue no jornal “Centro”. Uma secção com leitores fiéis, já que em comentários muito curtos, sobre cenas do quotidiano, José d’Encarnação consegue fazer uma inteligente e mordaz crítica social, denunciando situações anómalas, mas também fazendo pedagogia. Quem quiser saber mais sobre a editora “Apenas” pode procurar na internet em www.apenas-livros.com. Manuel Alegre apresentou biografia de D. Duarte Todos os livros nacionais e estrangeiros EM COIMBRA: Largo da Portagem, 9 – Telef. 239 823 014 CoimbraShopping, Loja 0.117 – Telef. 239 401 933 Dolce Vita Coimbra, Loja 209 – Telef. 239 716 007 Forum Coimbra, Loja 0.35 – Telef. 239 445 324 O poeta e deputado socialista Manuel Alegre apresentou, na passada semana, “sem complexos”, uma biografia de D. Duarte, pretendente ao trono, por haver valores que partilham e que “estão acima da monarquia ou da república”, como patriotismo. “Há ideias expressas por D. Duarte com as quais concordo. Portugal precisa de portugueses patriotas”, afirmou Manuel Alegre, republicano, momentos antes de apresentar o livro “D. Duarte a Democracia – uma biografia portuguesa”, no CineTeatro Gymnasio, no Chiado, em Lisboa. Para Manuel Alegre, a defesa dos “valores da identidade portuguesa num mundo global”, as “liberdades nacionais, a justiça social são preocupações que devem unir os portugueses, quer sejam monárquicos ou republicanos”. Embora existam valores que o unem a D. Duarte, há uma divergência muito real: Manuel Alegre vão vê motivos para se mudar de regime e, num hipotético refe- rendo sobre a questão, que não defende, “iria votar pela continuação da República”. O ex-candidato presidencial, que teve um avô monárquico e outro que foi chefe da Carbonária e fundador da República, defendeu a importância dos valores como forma “de afirmar Portugal” na União Europeia e no mundo. Na Europa, Portugal deve lutar “sem arrogância nem subserviência”, contra “o défice democrático e social, por uma maior responsabilização dos parlamentos nacionais” e fez a defesa do Estado para “diminuir assimetrias e desigualdade s”. D. Duarte Pio defendeu também os valores da identidade e “uma nação solidária” com os países africanos e TimorLeste. O pretendente ao trono questionou ainda se valerá a pena, no quadro da União Europeia, uma “dissolução” de valores “em troca de magros benefícios económicos”.
Slide 13: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 PUBLICIDADE 13
Slide 14: JOÃO PEDRO GONÇALVES FALA DO TRABALHO REALIZADO COM JOVENS BASQUETEBOLISTAS 14 D E S P O R T O DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Formar Passo a Passo João Pedro Gonçalves é um dos treinadores responsáveis pelo Programa Passo a Passo, romovido pela direcção técnica da Associação de Basquetebol de Coimbra e dirigido a atletas, de ambos os sexos, nascidos em 1993 e 1994. Em conversa com o “Centro” deu conta das principais linhas orientadoras do trabalho que está a ser desenvolvido António José Ferreira pação activa e empenhada no processo de ensino, que lhes permita alcançar um melhor nível de jogo. Pretendemos, também, contribuir para a definição dos conteúdos essenciais a abordar nestes escalões, bem como para a reflexão sobre os modelos e estratégias de treino. Descreva sucintamente o trabalho a realizar e em que principais aspectos técnico/tácticos incide. Partindo da definição de objectivos a alcançar em cada momento do jogo (marcar pontos, por exemplo) procuramos que os jogadores identifiquem as soluções mais eficazes, dentro do leque de soluções possíveis, num processo pedagógico de descoberta orientado pelo treinador. Esta orientação é feita dando pistas que identifiquem os elementos que o atleta deve ter em conta quando toma uma decisão. Assim, trabalhamos os elementos da técnica individual e da táctica individual em exercícios com estruturas próximas com a estrutura do jogo. Todos os elementos que nos propomos trabalhar, como o drible, o passe, as fintas, o movimento sem bola, são escolhidos e Quais os principais objectivos gerais a perseguir com o Programa Passo a Passo? O Programa Passo a Passo é uma das vertentes do trabalho do Centro de Aperfeiçoamento Técnico Distrital (CATD). O trabalho é orientado para os atletas com maior potencial dos escalões de Iniciados (Sub-14), como complemento do trabalho dos clubes e das selecções dos respectivos escalões. Acre- táctico e treino teórico, qual destes é mais privilegiado nas sessões do Passo a Passo? É difícil apontar de uma forma simples o que é mais privilegiado no nosso trabalho. Damos grande relevo ao treino da táctica individual, ou seja da leitura das situações e da tomada de decisão. Mas não faria sentido trabalhar esta componente do treino se não fossem trabalhados os argumentos técnicos que dão resposta à situação proposta. Também o treino teórico está presente ao contextualizar todas as situações traba- apenas com observações de jogos ou treinos e contactos com os treinadores dos clubes. É recorrente o “divórcio” entre as selecções distritais (e neste caso o “Passo a Passo”) e os treinadores/coordenadores dos clubes. Este ano como estão as coisas neste aspecto? No seu entender a que se deve este “divórcio”? Tendo como certo que uma maior aproximação entre todos os treinadores seria benéfica para a modalidade, o que vai fazer a Associação/equipa técnica distrital para quebrar esse afastamento? Acho que caímos num erro ao generalizar uma questão como esta. Durante os anos de experiência como seleccionador tenho vivido as mais diversas situações: treinadores que me pedem para filmar treinos, treinadores que nos dão relatórios individuais dos seus jogadores, e treinadores ausentes. Depende das pessoas. Mas devo dizer que este ano a colaboração com a esmagadora maioria dos treinadores tem sido muito boa. É claro que não podemos obrigar os treinadores a estarem sempre ditamos que é fundamental orientar a formação dos atletas para os conteúdos da táctica individual, apostando no treino do processo de tomada de decisão. A ideia chave que procuramos apresentar é a de “jogo inteligente”. Assim, propomonos estimular os atletas para uma partici- trabalhados com base em duas grandes ideias: criar vantagem (quer seja em drible ou passe, com ou sem bola); saber aproveitar a vantagem criada (trabalho de finalização). Tendo como válida a divisão entre treino físico, treino técnico, treino SESSÃO DE TREINO DECORREU NO COLÉGIO S. TEOTÓNIO A segunda sessão do “Passo a Passo”, versão 2006/2007, decorreu no passado dia 18 de Novembro no pavilhão do Colégio S. Teotónio. O grupo masculino trabalhou sob as “ordens” de João Pedro Gonçalves e Leonor Silva e contou com a participação dos seguintes atletas: Filipe Amaro, Pedro Fidalgo, Guilherme Silva e Manuel Costa (Académica); André Ferreira (Cantanhede); Gonçalo Neto, Ricardo Neto, Gonçalo Argel e Pedro Nunes (Ginásio); André Godinho, André Rei, Pedro Lopes, João Dionísio e João David Costa (Olivais); Gustavo Martins e Jaime Fernandes (PT); Diogo Cardoso (Poiares). Trinta e três atletas envolvidos João Lourenço e Filipe Rama lideraram a sessão de treino do conjunto feminino, com a presença de Carolina Leite e Ana Margarida Santos (Académica); Daniela Fernandes e Mariana Argel (Infante de Montemor); Vânia Filipe (Lousanense); Andreia Diniz, Francisca Silva, Jéssica Almeida, Joana Almeida e Maria Correia (Olivais); Bruna Cunha e Francisca Lima (PT); Diana Olivença, Filipa Belo, Beatriz Rodrigues e Susana Moreira (Sporting Figueirense). A próxima acção está agendada para o dia 20 de Janeiro, igualmente no Colégio S. Teotónio. lhadas. Sem que este tenha nenhum exercício específico, o treino físico é para nós imprescindível. Não com o objectivo de ganhos imediatos da forma física, mas com o objectivo de criar um padrão de exigência fundamental para os atletas atingirem o alto nível. Os exercícios são construídos de forma a serem executados sempre com a máxima intensidade. Apenas o treino da táctica colectiva é deixado para o trabalho das selecções. Como se processa a ligação deste programa com as selecções distritais? Ambos os núcleos fazem parte do trabalho realizado pelo CATD e, assim sendo, partem de um corpo de princípios e filosofia de trabalho comuns. No entanto, enquanto no “Passo a Passo” é privilegiada a táctica individual, no contexto das selecções é privilegiada a táctica colectiva, através de um trabalho orientado para a equipa. Por outro lado, como o primeiro contacto com os atletas é feito no “Passo a Passo”, este acaba também por ser um momento de avaliação do seu trabalho, permitindonos escolher os atletas para as selecções com mais certezas do que seria possível presentes. Gostávamos, mas sabemos que não é possível. O que verifico é que há pouca disponibilidade para dar mais ao basquetebol em várias áreas do nosso trabalho como treinadores. Se verificar-mos o número de treinadores que vão às acções de formação, ou quantas reuniões técnicas são feitas dentro do clube, percebemos que o problema não é com as selecções. É maior do que isso. O que me parece é que, quer seja por motivos profissionais, familiares ou outros, o basquetebol não é muitas vezes a prioridade. Mas como já disse gostaríamos de ter todos sempre presentes. As nossas portas estão sempre abertas. Parece-me que a reunião com os treinadores, onde apresentámos o nosso trabalho e fornecemos o documento orientador do nosso trabalho, abriu portas pois foi muito participada. As nossas acções do “Passo e Passo” são abertas, onde também fornecemos os planos de treino e, no final, estamos disponíveis a conversar sobre os mesmos. Esta proximidade também é visível nas convocatórias, onde a maioria dos jogadores foram indicados pelos seus treinadores. As portas para a colaboração estarão sempre abertas. Acredito que todos ganhamos com isso.
Slide 15: PORTUGAL-CAZAQUISTÃO NO ESTÁDIO CIDADE DE COIMBRA DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 DESPORTO 15 Casa Cheia FUTEBOL – VETERANOS U. Coimbra derrotou bancários Caixa Geral Depósitos, 0 Reis, Jorge Conceição, Zé Manel, Alexandre Costa, Ermindo Dias, Paulo Tomás, Paulo Carvalho, Carlos Mesquita, Miguel, Paulo Henriques e Hugo Sousa. Jogaram ainda: Rui Fonseca e Pedro Grama. Treinador: João Morais. Pedro, Carlos Manuel, Xico Sousa, Vítor Oliveira, Monteiro, Fernandes, Pinto, Amado, Toninho, Trindade e Murta. Jogaram ainda: Miranda, Pedro Maria, Capim e Marcelino. Treinador: Fernando Regêncio. Complexo Desportivo do Luso. Árbitro: Ramiro Santiago. Auxiliares: Novais e Carlos. Ao intervalo: 0-0. Marcador: Pinto. União de Coimbra, 1 No relvado do Complexo Desportivo do Luso a equipa de futebol da CGD e as velhas guardas do U. Coimbra realizaram um convívio desportivo que se saldou pela vitória dos veteranos unionistas pela margem mínima. Surpreendidos pelo “Verão de S. Martinho” as duas formações “suaram as estopinhas” ao longo da partida, mas conseguiram realizar exibições de bom nível. Conhecedores do tipo de futebol praticado pelos unionistas, os bancários apostaram numa forte defensiva, não dando espaço de manobra aos jogadores mais criativos. Assim, apesar do maior domínio de jogo, os pupilos de Regêncio não conseguiam criar perigo para as redes contrárias. O jogo foi muito repartido na zona do meio-campo, já que as defesas, exibindo-se em bom nível, não davam hipóteses aos homens mais adiantados no terreno. As situações de golo rarearam e foi até a equipa da CGD a beneficiar primeiro de uma clara oportunidade de golo. O segundo tempo manteve as mesmas características mas a partida tornou-se mais aberta, com mais espaços e as oportunidades de golo aumentaram. E foi num lance com a defesa da CGD adiantada que Pinto surgiu isolado para fazer o único golo da partida. A reacção “bancária” não se fez esperar mas Miranda, em duas ocasiões, evitou a igualdade.
Slide 16: 16 A P Á G I N A D O M Á R I O www.apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Mário Martins NEGÓCIOS (MAS NÃO DE DROGA) Emblemas diferentes à mesma mesa: dois da Académica, dois do União e um do Instituto D. João V (futsal) Há coisas que não entendo. Logo a seguir ao “25 de Abril”, o bacalhau tornou-se num produto proibido. Não estava à venda. Lembro-me de, quando era árbitro, aproveitar as idas à Madeira para comprar bacalhau. Lá havia, aqui não. Mas mesmo no Funchal, não era fácil adquirir uns quilos do “fiel amigo”. À sexta-feira, os comerciantes retiravam o produto das montras, para evitar vendêlo aos “continentais”. “Não vendemos bacalhau a cubanos!”, ouvi eu no Funchal. Mas nós sempre conseguíamos comprar uns quilitos, porque havia amigos que nos acompanhavam às lojas. Cá em Coimbra, arranjava-se bacalhau – quase clandestinamente – num 2.º andar de Montarroio, que era onde a minha mãe ia comprá-lo. Numa casa particular! **** Mais tarde, nos anos 80, quis comprar um automóvel. Esperei, esperei. A minha vez nunca mais chegava. Um dia, entrei no “stand” mal disposto. (Por vezes fico mal disposto e nessas ocasiões sou difícil de aturar...). O proprietário, vendo o meu estado de espírito, disse-me que ele nada podia fazer e aconselhou-me a ir falar com o vendedor, numa terra nos arredores de Coimbra. Lá fui. E o vendedor não foi de meias palavras: eu só teria o automóvel se lhe desse 50 ou 60 contos. Era a altura das importações contigentadas e, pelo que percebi, o mercado funcionava assim. Não aceitei a proposta do vendedor. Um dia, um amigo informou-me que os carros da tal marca tinham chegado e estavam “escondidos” em determinado lugar. Era sexta-feira. Fui ao tal sítio e comprovei que havia carros iguaizinhos ao que eu queria comprar. Voltei ao “stand” e disse ao proprietário que, se havia carros, era chegada a altura de um ser para mim. Ao preço de tabela. E acrescentei que não saía dali até ter o carro, ele se quisesse que chamasse a polícia. Eram umas 4 da tarde, lá para as 7 da noite venderam-me o carro. Ao preço justo. (Nunca mais comprei um automóvel daquela marca. Aqui há uns cinco anos, telefonaram-me do tal “stand” para casa, a perguntar se estava interessado num determinado modelo. Marquei uma visita ao stand, fui, pedi catálogos, preços, as informações mais detalhadas que era possível e... saí. Telefonaram- -me uma, duas, três vezes, a perguntar se já tinha decidido. Cansei-me da brincadei- UM “DERBY” (MESMO) A SÉRIO A minha equipa venceu hoje o U. Coimbra, por 3-1, no Campo da Pedrulha. Foi um “derby” com todos os ingredientes: emoção, penaltis, expulsões e muitos golos. A 1.ª parte decorreu em toada de bola cá-bola lá, com as equipas a jogarem com muitos cuidados. Como a bola andava sempre longe das balizas, as oportunidades de golo não surgiam. Estava o jogo nesta “pasmaceira” quando Peixinho decidiu animar as coisas. No flanco esquerdo, já no enfiamento da grande área, recebeu a bola, ladeou um adversário, entrou na área, fintou outro, rematou e... golaço! Até ao intervalo, o jogo voltou à toada morna, sem lances de especial interesse. As maiores emoções estavam guardadas para depois do descanso. Aí sim, houve “derby” a sério. Pouco depois do recomeço, o árbitro assinalou “penalty” contra a Académica por mão na bola (voluntária? involuntária?... eu estava longe...) dentro da área. Na marcação do castigo, o guarda-redes Francisco defendeu o remate e o resultado manteve-se em 1-0. Pouco depois, um lance inesperado: o guarda-redes do U. Coimbra bloca o esférico, prepara-se para chutar para a frente, é agarrado por um jogador da Académica, solta-se e dá uma cotovelada no adversário. O árbitro não hesita: explusão do unionista e “penalty”. É o que dizem as re- gras, para uma agressão dentro da área e com a bola em jogo. Peixinho não desperdiça o castigo e faz o 2-0. Quem pensava que o jogo tinha acabado ali, enganou-se. Logo a seguir, num lance rápido, o U. Coimbra reduz para 2-1. Continuava a emoção. Apesar de jogar com menos um elemento, o U. Coimbra não se entregou, mas o desafio entrou numa fase de ascendente da Académica. E surgiu o 3-1, na sequência de uma jogada individual, muito rápida, por Rodolfo, que tinha acabado de entrar. Estava feito o resultado – um resultado de acordo com aquilo que se passou em campo. Uma referência para o árbitro: conseguiu que, durante os 80 minutos, os massagistas não andassem a entrar e a sair do campo, como se vê (em Portugal...) em quase todos os jogos. Os jogadores ficavam caídos, ele chegava perto, dizia-lhes qualquer coisa, batia-lhes com a mão nas costas e – milagre! – os jovens punham-se em pé, completamente recuperados. Nota final para referir que, ao almoço, o grupo habitual juntou jovens que, momentos antes, tinham jogado com emblemas diferentes. Já foram todos da “minha equipa”, agora uns estão de um lado, outros de outro. Mas não é por isso que se quebra um hábito de oito anos (!): almoçarmos juntos no final dos jogos. E esta é a melhor parte dos campeonatos. (publicado no blogue em 26 de Novembro) ra e disse que não estava interessado. Ou seja, fiz-lhes perder algumas horas, porque eu não queria – nunca mais quero – um carro daquela marca. Foi a minha “vingançazinha do chinês”). *** Ali por 1983/1984, quando nasceu a minha filha, não havia bananas! Conseguir comprá-las era um feito quase sobrehumano. Mas o médico dizia-nos quera importante dar bananas moídas à criança. Havia que encontrá-las! Um dia, a minha mulher descobriu que uma pequena loja, na zona do Teatro Avenida, vendia-as ao fim-de-semana, desde que os clientes lá comprassem outros géneros. *** Estas são algumas das “estórias” que já vivi com o sector comercial, o que me leva a dizer – quando confrontado com situações anómalas – que é capaz de ser parecido com a compra e venda de droga. (Hoje em dia, comprar moedas de colecção num banco que eu cá sei é quase o mesmo. Vou lá e não têm moedas, ainda não chegaram. Passadas semanas, volto lá e ... já chegaram e já acabaram!). Agora, estou para comprar um automóvel. Escolhida a marca e o modelo, tratei de encontrar as melhores condições para o negócio. Visitei alguns concessionários e telefonei a outros. Qual não é o meu espanto quando num desses telefonemas, tendo dito a razão do contacto, a voz do outro lado me respondeu o seguinte: – Não damos preços por telefone. Sinceramente, não compreendo. Até parece que – em vez de um automóvel – eu estava a tentar comprar um estupefaciente qualquer. (publicado no blogue em 25 de Novembro) Até nem foi incómodo, porque o automóvel estava estacionado lá perto. *** Hoje tenho um jantar de amigos e comprometi-me a levar um bolo. Como é natural, não vou à tal pastelaria. Podiam não ter trocos e era um sarilho. (publicado no blogue em 27 de Novembro) NEGÓCIOS (MAS NÃO DE DROGA) – II BENTES: O “RATO ATÓMICO” Ontem, quando me dirigia para o Académica-Beira Mar, entrei numa pastelaria ao lado da passagem-de-nível do Calhabé. Pedi que me trocassem uma nota de 5 euros, em moedas, para poder comprar tabaco na máquina existente no estabelecimento. O funcionário que estava na caixa foi peremptório: – Nós não trocamos dinheiro para comprar tabaco. Saí, depois de um comentário “en passant”. *** No final do jogo, tinha de comprar pão para levar para casa. Como é óbvio, passei ao lado da tal pastelaria e fui comprá-lo à padaria da Fonte da Cheira. António Romão decidiu hoje prestar um “Tributo ao Professor Bentes” no blogue “Denúncias e Opiniões”.
Slide 17: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 www.apaginadomario.blogspot.com apaginadomario@gmail.com A PÁGINA DO MÁRIO 17 Ao encontrar o texto, foram muitas as imagens (talvez melhor, as sensações) que percorreram a minha mente. O prof. Bentes foi o meu professor primário, da 1.ª à 4.ª classe, na Escola de S. Bartolomeu, ali a dois passos da casa onde nasci e onde vivia, na Rua das Padeiras. Soube que ele era alguém importante no desporto porque um colega de sala de aula levava o pão para comer no intervalo embrulhado numa bolsa que tinha bordado o emblema da Briosa e as palavras “Bentes rato atómico”. Lá em casa, a família disse-me que ele tinha sido um grande jogador. Ajudou-me ainda a preparar o “exame de admissão”, nas explicações colectivas que decorriam depois das aulas na própria escola. Outros tempos... Foi com ele, também, que entrei pela primeira vez no Campo de Santa Cruz, num fim de tarde, para ver o treino dos juvenis, que ele orientava. Em 1964? Em 1965? Mais tarde, fomos “colegas de ofício” e encontrámo-nos várias vezes na Delegação Escolar de Coimbra, que funcionava na escola primária da Avenida Sá da Bandeira, ao lado da Manutenção Militar. Era lá que trabalhava. Um dia, pedi-lhe uma entrevista. Recusou, recusou... até que aceitou. Marcado o encontro, disse-lhe que era para o “O Jogo”. – É um jornal novo?, perguntou. – É. É um jornal diário desportivo, respondi. – Diário???! E há notícias para fazer um jornal desportivo todos os dias?!..., comentou. Foi aí por 1986 ou 1987. Era o início do jornalismo desportivo diário em Portugal. Hoje é o que se sabe. (Tenho de ir à procura da entrevista, nunca guardei os meus trabalhos, por vezes aparecem uns por aqui, outros por ali...) Homem simples e bom, o professor Bentes é das pessoas a quem devo algo do que sou. (Outro é o padre Nunes Pereira que, se fosse vivo, faria 100 anos no próximo dia 3 de Dezembro. Vou tentar não me esquecer dele nessa data.) (publicado no blogue em 24 de Novembro) rio dos 86 anos da Tomada da Bastilha, a homenagem nacional a Luiz Goes e a festa dos 25 anos da Associação dos Antigos Orfeonistas da Universidade de Coimbra. O programa, apresentado por Sansão Coelho, começa às 19H00, com um “Coimbra de honra”. À meia-noite, o Teatro dos Estudantes da Universidade de Coimbra (TEUC) subirá ao palco para o tributo a Luiz Goes, numa homenagem que integra a actuação de Jorge Tuna e a sua guitarra, acompanhado por Durval Moreirinhas, à viola, e pela voz de Carlos Carranca. Depois da uma da manhã será cantada a “Balada da despedida”. *** Identifico a voz tonitruante de Goes desde muito novo. Comecei a ouvi-lo na rádio, nos discos de 78 rotações que o dr. Providência ofereceu ao meu pai, na fita gravada do Coelho e depois em cassetes. Mas não o conhecia pessoalmente. Há uma meia dúzia de anos, por intermédio do comum amigo Carlos Carranca, fiquei a conhecer a pessoa de quem só reconhecia a voz. Temo-nos encontrado algumas vezes. Permitam-me o desabafo: é uma pessoa espectacular (um tipo porreiro!), que – apesar de viver a 200 quilómetros – ama mais Coimbra do que muitos que cá vivem. Luiz Goes é um dos meus ídolos. (publicado no blogue em 23 de Novembro) para as revistas sociais: a todos serve o mesmo prato, e todos se servem do mesmo prato. No fim, os consumidores aplaudem. Mesmo quando as três partes sabem que há algo de podre nesta relação ocasional, feita de traições, conspirações, romances e muita areia atirada para os olhos de todos. Mas o povo gosta – e isso é que interessa, não é?” (Pedro Rolo Duarte, hoje, no “Diário de Notícias”) (publicado no blogue em 22 de Novembro) há mais gente que se vai habituando a passar por aqui. Ainda bem. Este é um espaço de encontro. (publicado no blogue em 20 de Novembro) ÁRBITROS VÊEM MAL CAPA Ontem, o FC Porto marcou um golo irregular à Académica e o árbitro validou-o. Hoje, o defesa do Sporting derrubou o jogador do Marítimo fora da área e o árbitro assinalou grande penalidade. (publicado no blogue em 19 de Novembro) 17 minutos: o tempo que os comentadores da SportTV demoraram a ver que o 1.º golo do FC Porto foi obtido em fora-de-jogo!!! Deve ser recorde mundial. (E nunca viram que, nesse mesmo lance, Litos foi impedido de disputar a bola, porque é agarrado pelo braço!!!) (publicado no blogue em 18 de Novembro) RECORDE A PRIMEIRA CASA DE DESPORTO DE COIMBRA São capas destas que ajudam a vender uma publicação. Está bem feita. Tem classe. (publicado no blogue em 20 de Novembro) Este blogue surgiu em Abril passado. Em meados de Setembro juntei-lhe um contador de visitas. Hoje apareceu o relógio. O blogue é um meio de comunicação, mas é também uma forma de me ir aperfeiçoando, para que não fique informaticamente analfabeto... Qualquer dia vou tentar que o blogue seja mais agradável graficamente, tentar aprender a mexer no layout (as cores, as colunas, a arrumação do espaço, etc). E vou começar a tentar cumprir aquele que foi o objectivo primeiro: coleccionar as memórias de uma vida de 33 (neste momento...) anos de jornalismo. (Está para breve o início da publicação desses textos.) Surpreende-me que os comentários sejam escassos – pensava que haveria mais. Mesmo assim, alguns dos comentários que me chegam não aparecem no blogue: vão direitinhos para o caixote do lixo, porque aqui não escrevem cobardes, nem se publicam insultos. Mas já que estou a escrever sobre o blogue, deixem que vos informe que ontem foi o dia com maior número de visitas comprovadas. Muitas destas visitas, penso eu, são de elementos da “minha equipa”. Mas MUDANÇAS NO BLOGUE Opiniões de José Saramago, em entrevista hoje publicada no “Sol”: “Espero que o comunismo venha a ter uma segunda oportunidade e que não cometa os mesmos erros e crimes”. “Nunca houve comunismo no mundo”. [Em Cuba o regime não é comunista?] “Não. É um regime que estaria no caminho do comunismo mas...”. [O regime soviético não foi comunista?] “Não, que ideia! Era o chamado capitalismo do Estado”. [Não houve nenhum regime comunista?] “Não”. Não gosto deste homem. (publicado no blogue em 18 de Novembro) A vida política portuguesa ganhou um conceito novo aquando da passagem de Santana Lopes pelo Governo: a trapalhada. E o conceito parece ter pegado de raiz. O actual Governo já conta algumas, a mais famosa das quais talvez seja a daquele ministro que anunciou, solenemente, que a crise tinha acabado. Hoje, outra trapalhada: em entrevista ao “Diário de Notícias”, o secretário de Estado do Tesouro e Finanças, Carlos Costa Pina, afirma que não exclui a possibilidade de acabar com os certificados de aforro Ao princípio da tarde, o Ministério das Finanças esclarece, em comunicado, que não tem intenção de eliminar este produto de poupança. Quando será a próxima... trapalhada? (publicado no blogue em 17 de Novembro) SARAMAGO TRAPALHADAS GOES: A VOZ DE COIMBRA Luiz Goes é homenageado no sábado O Casino Estoril é o cenário da gala que junta a comemoração do aniversá- Os corpos gerentes da Associação Cristã da Mocidade (ACM) de Coimbra reuniram-se ontem em jantar. A conversa foi variada. Recordou-se, por exemplo, que a ACM foi o primeiro ginásio de Coimbra e que foi ali que modalidades como o basquetebol e o voleibol, entre outras, deram os primeiros passos na cidade. “A primeira Casa de Desporto de Coimbra” pode ser um “slogan” a aproveitar. (publicado no blogue em 21 de Novembro) CITAÇÃO Com Luiz Goes e José Belo na “taberna” de “A Democrática” “Pedro Santana Lopes está para o jornalismo político como Elsa Raposo está
Slide 18: LANÇADO MAIS UM NÚMERO DA REVISTA 18 C U L T U R A DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 “Media & Jornalismo” aborda História da Imprensa As Edições MinervaCoimbra acabam de lançar o número 9 da Media & Jornalismo, Revista do Centro de Investigação Media e Jornalismo, desta vez subordinada ao tema “O jornalismo e a História”. Este número de Media & Jornalismo é especialmente dedicado à História da Imprensa. Trata-se de uma área de saber que tem sido pouca valorizada, tanto na investigação histórica, como nas diversas abordagens que os estudos de Comunicação têm vindo a privilegiar. Ainda assim, mais recentemente diversos estudos ao nível de Pós-graduações, Mestrados e Doutoramentos têm contribuído para um conhecimento mais detalhado dos jornais, dos jornalistas, das leis da Imprensa e do jornalismo do século XIX e XX. Nesse sentido, Ana Cabrera, Doutorada em História Política e Institucional Contemporânea, organizou este número, justamente com o duplo objectivo de dar a conhecer, valorizar e estimular a investigação na área da história dos media e do jornalismo. Em “Os jornalistas no marcelismo – dinâmicas sociais e reivindicativas”, Ana Cabrera analisa as alterações na profissão que se avolumaram nos finais dos anos sessenta. No artigo “Anos 60: um período de viragem no jornalismo português” Carla Baptista e Fernando Correia apresentam alguns resultados de uma investigação, intitulada “Memórias do Jornalismo”, que consistiu na recolha e tratamento de testemunhos orais de profissionais – jornalistas e tipógrafos. Os contributos das entrevistas são analisados em função dos percursos profissionais e do contexto histórico em que ocorreram. Em “Revistas políticas no Estado Novo: uma primeira aproximação histórica ao problema”, Álvaro Matos parte de uma selecção de seis revistas publicadas durante o Estado Novo. Num primeiro grupo as revistas são claramente políticas como é o caso do “Integralismo Lusitano”, “Tempo Presente” e o “Tempo e o Modo”; num segundo conjunto a selecção recaiu em revistas literárias e económicas, que naturalmente não deixam de ser políticas, como é o caso de “O Ocidente” a “Vértice” e a “Revista de Economia”. Cada revista é apresentada segundo as linhas ideológicas, os conteúdos e os seus colaboradores. Joaquim Cardoso Gomes no artigo “Álvaro Salvação Barreto: oficial e censor do salazarismo”, é uma biografia do tenente-coronel de artilharia que foi responsável pela edificação da máquina da censura em Portugal. A acção deste militar faz-se sentir entre o 1928 até 1944. Rogério Santos em “O jornalismo na transição do século XIX para o XX. O caso do diário Novidades (1885-1913)”, apresenta a primeira série deste periódico segundo três eixos de análise: linha ideológica; secções e géneros jornalísticos os jornalistas e a sua actividade profissional. Esta secção do número 9 dedicada à História da Imprensa, fecha com uma entrevista a Peter M. Herford conduzida por Eduardo Cintra Torres, investigador e crítico de televisão. A sua leitura oferece um enorme manancial de informação não só sobre o seu percurso profissional que contempla mais de 30 anos, como também acerca da cobertura de acontecimentos que mudaram a televisão americana como foi o caso do assassínio do Presidente Kennedy. A propósito deste acontecimen- to a CBS manteve, pela primeira vez na história das transmissões televisivas, um acontecimento no ar durante quatro dias, com vários directos, apesar das restrições tecnológicas que se colocavam nos anos sessenta. Fora do tema deste número apresentase um estudo de Hermenegildo Borges sobre a “Publicidade erótica e a sua problemática regulação”. Neste trabalho o autor analisa o enquadramento jurídico do assunto e problematiza se deve ou não existir uma maior regulamentação sobre estas matérias, disponibilizando argumentos a favor e contra e propondo uma hipótese de resposta. ENCERRA AMANHÃ NO MUSEU DA FÍSICA DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA Uma curiosa exposição intitulada “Brinquedos?... Física!”, oode ainda ser apreciada até amanhã (quinta-feira, dia 30), no Museu da Física da Universidade de Coimbra. Ali se podem observar brinquedos que recorrem aos mesmos princípios dos mecanismos que fazem mover os aviões a jacto e foguetões ou as leis que explicam o funcionamento dos periscópios usados nos submarinos. “Brincar é uma coisa séria” – eis o mote desta exposição de brinquedos científicos que pretende explicar as leis da Física que fazem, por exemplo, com que o “iô-iô” balance ou que o pião rode sem cair. A exposição inclui uma dezena de brinquedos gigantes, réplicas de alguns já existentes no mercado, e ainda cerca de duas dezenas de objectos lúdicos de pequenas dimensões, como iô-iôs e caleidoscópios, entre outros. Ao espreitar no periscópio, o visitante da exposição – que não se destina só a crianças mas a “todos aqueles que têm curiosidade” – pode ler um pequeno texto que acompanha o aparelho sobre a Brinquedo científico em exposição NA GALERIA MINERVACOIMBRA Na Galeria Minerva está patente ao público, até ao próximo dia 5 de Dezembro, uma exposição de Pintura de Lena Gal. Lena Gal nasceu em S. Miguel, Açores e participou em numerosas actividades pedagógicas das quais salienta a animação em expressão plástica em escolas do ensino básico e ateliers de tempo livre. Foi monitora no programa “Artes e Ofícios”, no Projecto Sócio-Educativo do Departamento de Educação da Câ- lei de reflexão da luz. Um “palhaço sobe e desce” recorre ao mesmo mecanismo do “iô-iô”, baseado no princípio de conservação da energia mecânica, enquanto a “tartaruga leva a bola” exemplifica o conceito das forças de atrito, com a bola em cima do animal a girar em sentido contrário ao das bolas que fazem de patas. O pássaro que bebe horas a fio, o boneco “sempre em pé”, a ave equilibrista, o elefante na rampa – eis outros dos brinquedos que demonstram, de forma acessível, as leis básicas da Física. “São afinal as mesmas leis que definem a evolução do universo em que vivemos que explicam o funcionamento daqueles brinquedos que entretêm uma criança (ou um adulto) horas sem fim”, refere um folheto editado para este original certame que bem merece uma visita. Exposição de pintura de Lena Gal mara Municipal de Lisboa. Foi convidada para apoiar acções pedagógicas sobre a Arte, no Liceu Durfee, na Bishop Conrelly High School, na University of South Carolina, Spartanburg, e na Tauton High Scholl, ambas nos EUA. Tem já no seu currículo várias exposições individuais e colectivas, quer em Portugal quer no estrangeiro. A mostra pode ser visitada, de segunda a sábado, das 10 às 13 e das 14.30 às 20 horas. Exposição de pintura na Galeria Almedina “Coimbra, capital da pintura” é o tema genérico de uma exposição que foi ontem à tarde inaugurada na Galeria Almedina (Chiado), numa iniciativa do Clube da Comunicação Social. Trata-se de uma exposição colectiva, em que, segundo a organização, “estão representados os nomes mais consagrados das artes plásticas em Portugal”. O certame poderá ser visitado até próximo dia 15 de Dezembro.
Slide 19: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 A PROPÓSITO DE “COIMBRA À GUITARRA” DE CARLOS CARRANCA OPINIÃO 19 Trovador, peregrino, viajante «A língua não corresponde a um pensamento, é o próprio pensamento» – disse Heidegger. Da mesma maneira, poderíamos afirmar que o modo de tocar guitarra, mais do que uma técnica, necessária todavia, é um estado de alma, e alma portuguesa, apesar do nosso instrumento, em forma de coração, descender do cistro inglês! Ao que parece, só aqui poderia ter vida. Instrumento musical imigrante, naturalizado português, transformado completamente, criámo-lo à nossa sensibilidade, e hoje não se lembra do país de origem! Que melhor acolhimento poderá haver? “Coimbra à Guitarra” é o mais recente livro de Carlos Carranca. E o poeta de quem falamos hoje é um portador da poesia plasmada na sua palavra e no seu gesto, onde quer que se encontre, onde quer que vá; um trovador, um peregrino, um viajante. Poderíamos dizer, no caso de Carlos Carranca, se antes da cidade dos estudantes à guitarra, não haveria, secretamente, uma “Lousã à guitarra”... A imagem não é descabida, pois as impressões poéticas, são-no não só pela ainda incompreensível alquimia do inteiro acto criador, como por esse mágico espírito de lugar, que bem o sabia o filósofo português José Marinho. Os lugares eternamente recriados. O poeta viu, sentiu e registou Coimbra. E quanto à indelével fixação dos acordes do vento da serra, dos acordes do estranho silêncio que bem pode ser a génese da palavra poética em todo o seu fulgor? Também Pascoaes ouviu o Marão antes do cantar das tricanas do Mondego; também Régio ouviu as guitarras dos marinheiros de Vila do Conde antes que tivesse escutado a de Artur Paredes; e o próprio Pessoa, nas redondezas do Teatro de S. Carlos, imaginava a aldeia ideal que nunca teve, e escrevia: «O sino da minha aldeia/dolente na tarde calma/cada tua badalada/ soa dentro da minha alma». O título “Coimbra à Guitarra” tanto pode querer dizer que é a cidade, qual vulto feminino, que, cantando, é acompanhada pelo instrumento de cordas, ou a própria cidade que dedilha a guitarra. Seja como for, não me é difícil ver, antes de mais, uma “Lousã à guitarra”, uma guitarra rústica, a Lousã em menino do Carlos Carranca. Pese embora o porte hierático e extenso da serra, esta é, tal como a guitarra, uma figura feminina de formas arredondadas, que nos dedilha os sentimentos pela surpresa e pelo sedutor apelo. Apesar de tudo isto, ainda que as imagens originais permaneçam, o homem aventureiro, o poeta na demanda da ilha ideal, move-se inevitavelmente. E o destino, o fatum latino ou o maktub, herança árabe que também nos cabe, Paredes vem do fundo do tempo e de um lugar tão mítico como real. Vem e acrescenta Coimbra de fora; também a guitarra de um João Bagão empresta à cidade o fraseado do mar da sua terra natal, e a voz de um Luiz Goes, acorda Coimbra quando esta parece não querer acordar. E neste acordar de Coimbra, a que muitos já se têm referido, está incubada uma outra problemática mais profunda que é da memória de Coimbra, e da qual falaremos, ao de leve, em seguida. Mas convenhamos que terá de haver sempre academia e académicos, os anos intocáveis da mocidade, quando sentimos, sem pensar, o cheiro das tílias que vem do Botânico, o luar medievo das ruas de Coimbra, os rouxinóis nos salgueiros que hoje são mais reais porque existem só quase na memória que nos corta latejante. E ainda a propósito do que é ou não é real, diga-se que todo o sonho, no seu mundo, para os verdadeiros sonhadores é tão real como uma estrada de asfalto para os olhos que a vêem. A fantasia, o acto morno, o desalento, esses é que são as manchas doentias da vida, enquanto que pelo sonho «uma constante da vida», como lhe chamou Gedeão, o mundo pula e avança. E o fadista de Lisboa, Vicente da Câmara, que nos canta: «Guitarra, minha guitarra,/ Conforme o teu som desgarras/ Em riso, dor ou saudade,/ Através das tuas cordas/ Nas minhas mãos tu acordas/ Diversa realidade». É curioso lermos que é a guitarra que acorda em nós a realidade que interiormente possa existir. Ora, é toda uma realidade académica, futrica e mítica, que Carlos Carranca nos oferece no seu livro, ainda que o autor nos dê também uma guitarra ideal, isto é, uma linha de força lusíada que caracteriza Coimbra. (Continua na próxima edição) encaminharia Carlos Carranca em direcção a Coimbra, que, para o poeta, só poderia ser acompanhada à guitarra, e não por outro instrumento. Ritual lusitano por excelência, altar céltico no panteísmo da terra; dessa terra, sem lucro, hoje escassa e que já quase não existe, e das águas cadentes e cristalinas sem pagar imposto. Não é de todo necessário, para sentir a guitarra de Coimbra ou Coimbra à guitarra, penetrar num outro espaço ritualístico que poderia ser as águas do Tejo beijando as colinas de Lisboa de ressaibos de guitarras mouriscas, ou os antigos salões das modinhas luso-brasileiras. Mas pelo facto da guitarra ter as suas origens nas zonas marítimas, no zarpar e no atracar dos barcos, nas ondulações da incerteza, talvez isso nos ajude a uma exegese mais conveniente da Guitarra do Mondego. Paulo Alexandre Esteves Borges em «Do finistérreo pensar», referindo-se ao fado, na equivalente guitarra, diz-nos que «O trágico perdura. A irracional cisão entre o indivíduo e o Absoluto, que faz com que relativamente haja Destino, Fatum a impessoal Moira que os gregos sabiam superior aos próprios deuses –, desafia todo o dogma religioso e as derivadas metafísicas. Por isso os portugueses a cantam, na saturnina ironia de quem contempla como vãos todos os artifícios da razão. Sabem, sem jamais terem pensado nisso, que só a dor, a extrema dor da identificação do mal do mundo, dele nos liberta». Estas palavras encaminham-nos agora a outro ritual. Uma complementaridade tão estranha como real, uma sensibilidade coimbrã. Aqui nos deteremos no livro de Carlos Carranca, talvez compreendendo melhor que a guitarra de Carlos Estrepes... Editado pela “Apenas” Pedidos a ou apenaslivros@oninetspeed.pt jornal “Centro” Telef. 239 854 150 Eduardo Aroso O mais recente livro de José d’Encarnação Preço: 4,20 euros
Slide 20: 20 O P I N I Ã O DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 POIS... José d’Encarnação – Desculpe, tem a portinhola… – Sim? E depois? Tem alguma coisa com isso? Ficara danado o senhor. Bem posto, casaco de marca, gravata italiana... E lembrei-me da frase do professor de Filosofia: «Se eu, num ambiente formal, disser a uma pessoa que tem uma nódoa na camisa, ela irá levar a mal. Fica ofendida. Se eu digo isso é para a ajudar, para que possa disfarçar a nódoa e não fazer má figura. Mas ela fica zangada comigo só porque eu vi a nódoa, sabe que eu sei que tem a nódoa e porque assumi perante ela que sei que tem a nódoa e que sei que ela sabe que eu sei». FILATELICAMENTE Ser ou não ser… Notário Maria Margarida Loureiro Cardoso “Quando se coloca o carimbo de um tabelião em um documento, além da fé pública de que este documento é legítimo e verdadeiro, agrega-se a responsabilidade do tabelião. Funciona como um seguro, se não for verdade o que o carimbo afirma ser, o tabelião indemniza”. (Ainda) Notária em Vila Nova de Poiares D. LUIZ I João Paulo Simões Com esta convicção escolhi há quase 30 anos ser Notária. Hoje sinto o vazio e a frustração de ter exercido uma profissão que se teima a todo o custo fazer crer que é inútil, é toda uma vida de trabalho, sacrifício e empenhamento que fica sem sentido. Esse sabor amargo nada nem ninguém vai conseguir adoçar! Procurava há dias numa disquete onde guardo actos menos comuns, uma escritura de “Reversão de parcela de terreno a favor do Município”, quando me deparei com esta “escritura” que a seguir transcrevo, de que já nem me lembrava haver guardado, pois em seis anos tanta água correu debaixo da ponte… No dia vinte de Outubro de dois mil, perante nós, Notários da Comarca do Porto e arredores, compareceu como outorgante: DR. ÁLVARO MENDES DA COSTA, bem casado, natural de Alavarenga, Arouca, residente nesta cidade, em local fino, nos Pinhais da Foz. Verificamos a sua identidade por o conhecermos de gingeira. O outorgante declarou: Que durante anos e anos a fio notariou de acordo com as leis do Reino e as circulares da D.G. Fez partilhas, locações, vendas, hipotecas, permutas, propriedades horizontais; Constituiu sociedades, alterou-as, aumentou-lhes o capital, dissolveu-as, fundiu-as, cindiu-as, etc, etc; Certificou e declarou a conformidade dos escritos com o original, valendo como lei a sua palavra. Que neste ano da graça de dois mil, o “LEGADOS EM SUBSTITUIÇÃO DA LEGÍTIMA preclaro legislador português, consciente das pesadas cargas que incidem sobre os ombros dos frágeis notários do país, resolveu aliviar o seu fardo e conferir poderes para certificar documentos, como se notário fosse, aos doutos Presidentes de Junta, aos sábios operadores dos CTT e aos profissionais mais independentes que actuam no mercado. Que, porém, continua pesado o fardo notarial, o qual terá forçosamente que ser mais partilhado por outras entidades idóneas, a fim de aliviar os seus frágeis trabalhadores, tão bem quistos do Poder. Que, nestes termos, usando da faculdade idêntica à dos Presidentes de Junta, de delegar poderes, delega: Nos TLP, Telecel, TMN e Optimus, poderes para certificar documentos quer autênticos, quer autenticados ou particulares; Nos Centros de “Tricot” toda a maçadora “formalidade” – disse formalidade – de constituir empresas, dissolvê-las, fundi-las, cindi-las transformá-las, alterálas e tudo o mais com elas relacionado; Nas Lojas do “Povo” ou do “Cidadão”, os de fazer justificações, servidões, doações e todo o tipo de reconhecimentos; Nas Juntas de Freguesia, PSP e GNR, poderes para fazer procurações e termos de autenticação, sem esquecer as partilhas e os testamentos; Nas Agências de Contribuintes – Trespasses e Cessões de Exploração de estabelecimento comercial; Nos Bancos – todas as escrituras de compra e venda com hipoteca ou mesmo sem ela. Que, atendendo ao facto de nesta coisa da Nota, ter como seus únicos sucessores forçados, os futuros Notários que tiverem a coragem de abraçar esta profissão, lega-lhes em substituição da sua legítima, o direito de: a)- Abrir diariamente o correio; b)- Abrir e ler diariamente o Diário da República; c)- Ler atentamente as circulares da Direcção Geral; d)- Fazer rectificações e uma ou outra convenção antenupcial; e)- Devolver os emolumentos reclamados pelos que têm direitos às isenções; e f)- Abrir e fechar diariamente a porta do Cartório às 9 e 17 horas, respectivamente. Declarou ainda o outorgante: Que, com excepção das funções pre- Nós, Notários, dispensamos a intervenção de testemunhas dado haver urgência na feitura deste acto e dificuldade em as obter. Este acto foi lido ao outorgante e ao mesmo explicado o seu conteúdo em voz alta e na presença simultânea de todos.” Como dizia a minha avó, “guarda o que não presta, acharás o que te é preciso”. Pensei: “Aí está – vamos levar isto com um sorriso (amarelo) nos lábios, com sentido de humor!... É um bom mote para vencer esta mágoa, esta desmotivação que me silenciou desde o dia em que tive de fazer a penosa opção de deixar de ser Notária, o que está para muito, muito breve, decisão, aliás da qual não me arrependo, só sinto revolta por ter sido obrigada e empurrada para esta escolha! Esta premonitória “escritura”, que então circulou pela classe – de tão saudosa memória – e que agora divulgo, não podia estar mais actual (no sentido, porque na forma já foi ultrapassada por outras desformalizações…). Os factos são por demais evidentes para que eu me escuse a salientá-los a qualquer leitor mais distraído. Também não é tempo de fazer mais análises, muito menos balanços das opções governamentais nesta matéria, se calhar até foram as que a União Europeia ditou, as que a evolução da vida jurídica impôs… Mas não posso evitar, não eu que tantas vezes ousei pôr o dedo na ferida, dar a cara e dar voz aos lamentos, às preocupações, aos anseios de uma pequena classe de trezentos e poucos notários que sempre esteve dividida e oprimida! Não posso, não quero, nem devo calar o meu legítimo testemunho nestas derradeiras palavras como Notária, pelo Serviço Público que defendi, que exerci com paixão, que prestei com o máximo sentido de dever, de isenção, de honestidade, como não posso, não quero, nem devo esquecer todos os colegas que exerceram esta profissão com a mesma dignidade e dimensão – a quem presto a minha homenagem – e todos os utentes que me dignificaram, me distinguiram com a sua escolha, e me ajudaram a crescer como Profissional e como Ser Humano - a quem deixo o meu muito sentido OBRIGADO! vistas na alínea f), não poderão as outras ser delegadas em qualquer Ajudante do Cartório. Assim o disse e outorgou. 1862-1864 Impressão em relevo Os selos deste monarca foram desenhados por Francisco Borja de Freire, que também abriu os cunhos, e impressos um a um em folhas de vinte e quatro exemplares, dispostos regularmente e não denteados. O papel é liso, fino, médio e espesso. Foi este o último trabalho do artista, autor de todos os selos até aqui emitidos. De notar que este gravador de moedas, respeitou sempre a regra da numismática nos seus selos, de virar a efígie do monarca para o lado contrário ao do seu antecessor. Em qualquer catálogo de selos, podemos observar isso. Foram utilizados dois cunhos de cinco reis castanho, para uma tiragem de 18 621 600 selos, um cunho com o de dez reis amarelo laranja para uma tiragem de 2 192 400 selos, sete cunhos, com o vinte cinco reis carmim rosa para uma tiragem de 32 833 200 selos, um cunho com cinquenta reis verde azul, para uma tiragem de 411 600 selos e um cunho com o cem reis lilás para uma tiragem de 451 200 selos. Os cunhos de cinco reis, identificam-se pelo afastamento do “5” em relação a “reis” e os de vinte cinco reis identificam-se por diferenças no entrançado da burilagem. (Baseado em selos de Portugal Álbum 1 (1853/1910) de Carlos Kulberg) [São estes os primeiros selos de D. Luiz I. Outras séries se seguirão, com novas taxas e novas cores. São extensas. Por isso, continuarei nos próximos números a falar da parte filatélica deste monarca e, no último artigo, a sua biografia].
Slide 21: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 OPINIÃO 21 Recriar a Escola Muito complicados têm sido estes últimos dias. Para os professores e para a escola. Sob a capa duma simples reivindicação – que está profundamente banalizada – escancarou-se perante os nossos olhos e o nosso entendimento um quadro degradante da escola e do sistema que a enforma. A discussão e aprovação do estatuto da carreira docente, a concepção e organização da estrutura escolar e das escolas em si mesmas, do seu funcionamento, das condições e factores de disciplina e segurança... estão, como nunca, em causa. Nem queremos pensar na aparente e sibilada manipulação dos educandos por parte dos professores quando nas suas escolas recebem a Ministra com apupos ou se associam às manifestações frente ao Ministério da Educação. Francamente, não acreditamos! É que tal promiscuidade se afiguraria altamente perniciosa na preservação do respeito pela hierarquia, essencial ao bom funcionamento das instituições e, concretamente, na manutenção das condições de disciplina. Também entendemos que a discussão do estatuto da carreira docente se tem revelado um negócio desintegrado das realidades e das necessidades da escola. Por um lado, o Ministério com o OGE na mão; pelo outro, os Sindicatos na Renato Ávila O LEITOR a ESCREVER defesa cerrada das suas mais emblemáticas conquistas consignadas no diploma vigente. Um braço de ferro num diálogo de surdos. Com a escola à distância. Enquanto o Ministério da Educação a conceber como um lugar onde um grupo orçamentado de professores dá aulas a um universo elasticamente calculado de alunos; enquanto os professores entenderem a escola como um local onde se dá um rigoroso número de aulas a horas certas para obter vencimento e seguir uma carreira, não vamos a lado algum. Continuamos e assim continuaremos agarrados a uma escolástica de primas e matinas onde se debita e credita pura e simplesmente a informação. O resto, o principal, fica por fazer. Esta é a escola das substituições, da indisciplina, do desinteresse, do insucesso formativo e educativo... do abandono. Será, porventura a mais fácil de gerir, a mais barata, a que menos quebra-cabeças dá em termos de organização e exigência pedagógica. Não é, de certeza, a que o país urgentemente precisa. Isto não aparece sobre a mesa de negociações porque não está nos limitados horizontes do sistema onde os números falam mais alto, nem na mentalidade da maioria dos professores porque a carreira não é motivante e a construção duma escola diferente requer, sem dúvida, muito mais trabalho e dedicação. O ensino privado navega excelentemente nestas águas. Criou um paradigma assente no facilidade de recrutamento de docentes, na eficácia face ao sistema oficial de avaliação e na resposta adequada às necessidades dos que podem pagar e.. factura. Para ganhar. O ensino público naufraga porque deixa agitar as águas sem saber marear .Para não gastar. Temos de construir uma escola de projecto na qual a informação não seja o mais importante mas apenas e tão somente uma parte do processo. Sabemos quão estafada anda esta palavra projecto. Todavia, ela encerra em si o segredo duma nova escola necessariamente paradigmática e determinante no sistema educativo. Essa escola requer saber, audácia, dedicação e recursos. Saber para conceber e desenvolver, audácia para ultrapassar práticas anquilosadas de séculos e modificar estratégias e atitudes, dedicação e empenho para dispor da vontade e do tempo na prossecução duma causa, recursos humanos e materiais (espaciais, equipamentos...) adequados para concretizar com sucesso os projectos. Ao pensar na reclassificação dos professores com horário zero com vista a novas e diferenciadas carreiras dentro do sistema, o Ministério deu um primeiro sinal de abertura para esta problemática. Compete aos Sindicatos, em vez duma atitude hostil que parece querer aflorar, com espírito de abertura, bem meditar no assunto. É que, tal como está hoje, o professor, na escola é, grosso modo, um mero agente de informação. No nosso modesto entender, ao abrirem-se novas perspectivas, a função docente fica muito mais enriquecida com diferentes e mais aliciantes propostas de trabalho. Os professores deveriam assumir desde logo a condução do processo com a apresentação de propostas inovadoras. É demasiado redutor para educadores centrar a discussão apenas ao nível das relações laborais. A hora é de mudança. Urge recriar a escola e isso compete, fundamentalmente, aos docentes. De modo algum podem delegar em outrem esse papel A demagogia de todos ao molho não favorece a transformação que se deseja. Numa escola de competências, os furos e as substituições, os horários de hora e meia, as aulas de débito de matéria... serão anacronismos. Todos os alunos têm, fundamentalmente, projectos de enriquecimento pessoal para desenvolver. Nesta escola o empenhamento de cada um é factor de disciplina e de sucesso. A uma escola de sapiência é mister que se sobreponha uma escola de competências. Impõe-se, pois, que recriemos a escola. Certificados de Aforro Esta medida do Fisco lembrou-me uma história antiga, de quase 40 anos, quando entrei para o Banco. Existia um financiamento, de carácter social, em que o Banco disponibilizava 6 meses de ordenado, sem juros, a pagar em 2 anos, para que o seu empregado fizesse frente a despesas com o seu agregado familiar: mudança de casa, compra de fogão ou frigorífico, mobílias novas, doenças inesperadas, etc. Uma série de colegas meus aproveitou essa facilidade para constituir um Depósito a Prazo, no próprio Banco. Estamos a falar de uma época em que um belíssimo andar, em Benfica, custava 80 contos; em que o máximo dos máximos, um BMW 2002 ti, também andava pelos 80 contos. Claro que, face aos abusos, o Banco acabou com essa medida para todos, começando por congelar os tais De- pósitos a Prazo. Conclusão: foram apanhados os chicuespertos, mas pagaram todos. Os grandes devedores, nem tiveram nada a ver com isto. Com os Certificados de Aforro, a história é semelhante: cerca de 1.500 devedores do Fisco investiram em Certificados de Aforro. Tudo indica, perante tal investimento, que nada tenham a ver com grandes devedores. Mas a central de informação funciona e o povinho bate palmas. Enquanto isso, os grandes devedores continuam a dever e o Estado mantém o seu nível de despesa. Até parece que está tudo bem. Desta vez, quando os vampiros desceram na calçada, já não terão sangue fresco nem manada para sugar. Rui Lucas
Slide 22: Distorções José Miguel Nora Está aí a época natalícia e com isso surge no mercado uma imensidão de colectâneas de “Greatest Hits” das mais diversas bandas, como sejam os U2, os Beatles, etc. e, tentando alargar o leque de escolhas para as compras de Natal, hoje vou escrever sobre alguns dos melhores discos feitos em Portugal durante o ano de 2006, numa clara antecipação do inevitável balanço de 2006 que surgirá lá mais para a frente. O primeiro destaque cabe a “Masquerade” da autoria do”one man band” josemiguelnora@gmail.com 22 M Ú S I C A DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 A Hora do Vinyl HOJE À NOITE, NA FNAC COIMBRA e conimbricense, The Legendary Tiger Man, apesar de pouco conhecedor da sua obra, decidi comprar este disco logo à saída, e, as expectativas não saíram goradas. As primeiras músicas a entrarem no ouvido são a “cover” de “Route 66” e “Honey You´re Too Much”, mas quer a primeira faixa do disco, “Someone Burned Down This Town”, quer a seguinte, “The Whole World´s Got The Eyes On You”, mostram um Paulo Furtado ao seu melhor nível, mas, ainda, com uma enorme margem de progressão, e, ao mesmo tempo, coerente com a sua atitude, quer seja com os Wraygunn, quer mesmo com os Tédio Boys. Se tivesse que eleger o melhor disco português de 2006 seria, certamente, este “Masquerade”, que conta com a colaborações dos Dead Combo, de Dj Nell Assassin (Micro, Bullet), João Doce (Wraygunn) e de Mário Barreiros como produtor e músico. Para o fim, fica a sugestão de dois dos discos que mais ouvi nas últimas semanas, o primeiro pertence aos Sparklehorse, “Dreamt for Light Years In The Belly of a Mountain”, que adorei ver ao vivo no Festival Para Gente Sentada, e ainda “Home” de Thomas Schumacher, que recentemente esteve no Lux (Lisboa) e que começou a fazer parte dos meus “dj-sets”. PARA SABER MAIS: Mas, muitos foram os discos portugueses de que gostei no ano que está a terminar, a começar pelo “Side Effects” dos X-Wife, e acabando em “Beat Riot” dos Loto, mas não esquecendo a agradável surpresa que foi “Propaganda” dos Orangotang. Os Orangotang são uma banda de Mondim de Basto, que comecei a ouvir com alguma insistência via Best Rock Fm, sobretudo o tema “Só”, mas, após comprar o “Propaganda” tive a certeza de que não se tratava daquelas bandas que só têm um tema interessante, mas sim um conjunto de bons temas a ouvir vezes sem conta até à exaustão como: “Lâmpada Azul” e “Prazer”. “A Hora do Vinyl” é o tema da sessão que decorre hoje (quarta-feira, dia 29) na Fnac Coimbra, a partir das 21h30. A girar desde 1948, o disco de vinyl foi o suporte de reprodução áudio mais utilizado até ao advento do disco compacto no final dos anos 1980. Numa altura em que o CD perde terreno para os novos media digitais, cresce também o culto em torno do coleccionismo do vinyl. À volta de uma mesa redonda, Afonso Macedo (dj cosa nostra), Paulo Fernando (compact records) e Rui Ferreira (subotnick / lux records) discutem o passado, o presente e o futuro do vinyl. Numa conversa informal, irá falar-se de rituais e da pertinência deste revivalismo, questionando o espaço hoje reservado a este objecto nas lojas e no meio editorial, bem como as suas vantagens perante outros suportes. A sessão será moderada por Nuno Gomes (Fnac Coimbra). “Íntima Fracção” no Festival de Zagreb CURTA-METRAGEM DE PAULO ABRANTES A curta-metragem vídeo “Intima Fracção”, da autoria de Paulo Abrantes, foi um dos 10 filmes seleccionados pelo Festival Black & White para a sua extensão ao One Take Film Festival 2006, que decorreu em Zagreb – Croácia, de 17 a 19 do corrente mês. Este vídeo, que foi visionado no Theatre Gric, é inspirado no programa de rádio “Íntima Fracção”, da autoria de Francisco Amaral. Segundo as palavras deste criador e locutor do mais antigo programa da rádio portuguesa, “o vídeo recorre a fotos feitas pelo Paulo Abrantes nos estúdios da TSF em Coimbra, algures no ano de 1990, acrescidas de muitas outras que, segundo o Paulo, prolongam nas imagens a emoção construída pelos sons da IF”. E Francisco Amaral acrescenta: ”Este vídeo comoveu-me, que é a maneira eufemista de dizer que me fez chorar. O trabalho de imagem que se desenrola sobre pouco mais de 3 minutos de sons da IF, é uma visualização fragmentada, intensa, mas que toca no que posso chamar a “alma da Íntima Fracção” – ou será o coração? A ligação entre o estúdio e as paisagens sonoras, finalmente transformadas em imagens (destino sempre procurado desde a edição 1 da IF), podia ter sido feita por mim. Mas não foi! O facto da sensibilidade do Paulo Abrantes ter encontrado os caminhos, tantas vezes cobertos de - http://www.legendarytigerman.com/ - http://www.x-wiferocks.com/ - http://www.loto.cc/ - http://www.myspace.com/orangotang/ - http://orangotang.hi5.com/ - http://www.sparklehorse.com/ - http://www.thomasschumacher.com/ - The Legendary Tiger Man – “Fuck The Christmas, I Got The Blues” (Nortesul) - The Legendary Tiger Man – “Masquerade” (Nortesul) - X-Wife – “Side Effects” (Nortesul) - Loto – “Beat Riot” (Som Livre) - Orangotang – “Propaganda” (No Rec) - Sparklehorse – “Dreamt for Light Years In The Belly of a Mountain” (Parlophone) - Thomas Schumacher – “Home” (Bush) Música ao vivo até de madrugada AMANHÃ, NA FNAC COIMBRA Coimbra recebe amanhã (quinta--feira, dia 30), pela primeira vez um “dia e noite aderente”. Trata-se de uma iniciativa que a FNAC organiza duas vezes por ano: um dia com descontos especiais e espectáculos ao vivo em todas as suas lojas. Assm, amanhã, entre as 10 e as 3 horas da manhã, são muitas as propostas de animação cultural na Fnac Coimbra. A estreia desta iniciativa conta com um cartaz de luxo. O grupo Verdes Anos apresenta fados e guitarradas durante a tarde. Ao início da noite, é a vez do premiado escritor Gonçalo M. Tavares dar a palavra a mais uma personagem da sua colecção “Bairro”. A Brigada Victor Jara chega às 23 horas para servir a Ceia Louca. As honras de encerramento do dia cabem a Armando Teixeira que revela A Grande Mentira, o último registo do projecto Balla. MAIS INFORMAÇÕES EM: bruma, ofereceu-me a paz e o conforto de me reconhecer não sozinho. Devo acrescentar que o Paulo Abrantes ao longo de todos estes anos de Íntima Fracção, teve acesso apenas duas vezes ao estúdio onde se realizava a IF: uma na RDP, em 1989, outra na TSF, em 1990. Toda a experiência que o Paulo adquiriu sobre a IF foi, assim, sonora. O que me comoveu (conjecturo! ...) terá sido o retrato fiel da ambiência de recolhimento e isolamento que sempre vivi no estúdio, cruzada com os grandes voos sonoros que de lá partem.” h t t p : / / w w w. o n e t a k e f i l m f e s t i val.com/program.html www.artes.ucp.pt/b&w http://intima.blogspot.com/
Slide 23: DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 IDEIAS DIGITAIS Inês Amaral INTERNET 23 e construir ambientes de lazer em casa. O principal trunfo do site é a inclusão do vídeo, associado à possibilidade de votação das peças, comentar e responder a desafios lançados pela apresentadora. EUROPEAN CITIZEN’S INITIATIVE Docente do Instituto Superior Miguel Torga Yahoo Food endereço: http://food.yahoo.com/ | categoria: culinária BOLÍVIA, DIÁRIO DE LUTA HEMEROTECA DO EL MUNDO Links relacionados: Os diários de Ernesto Guevara de la Serna, o revolucionário argentino conhecido por Che Guevara, estão disponíveis na rede. Os textos foram escritos durante os seus tempos de guerrelheiro na Bolívia e online está o dia-a-dia do “comandante Che”. O projecto é uma parceria entre o Centro de Estudos Che Guevara e o portal Cuba Sí. O diário online reproduz os dias de luta na Bolívia descritos pelo próprio Che Guevara e disponibiliza ainda os cadernos e testemunhos de outros combatentes, documentos da guerilha, biografias, mapas, recortes da imprensa boliviana, infografias, os discursos do comandante, uma galeria de fotografias. Online desde 7 de Novembro – exactamente 40 anos depois das primeiras anotações do guerrelheiro – este site é um valioso e histórico documento multimédia interactivo. http://cheguevara.cubasi.cu/ – Centro de Estudos Che Guevara http://www.cubasi.cu/ – Portal Cuba Sí endereço: http://www.diariochebolivia.cubasi.cu/ categoria: história Link relacionado: O jornal espanhol El Mundo abriu o seu arquivo na Internet. Os utilizadores podem consultar na Hemeroteca todos os textos publicados no jornal impresso de 1994 a 2006, ou aceder aos arquivos da edição online – disponíveis a partir de 2002. A possibilidade de gratuitamente aceder aos arquivos de um dos maiores diários europeus é uma novidade no novo contexto jornalístico online, onde os serviços para assinantes são cada vez mais uma constante. A nova política do El Mundo já provocou alterações, nomeadamente no concorrente El País. Este diário espanhol lançou recentemente uma nova página na web com um novo layout, conteúdos dinâmicos e interactivos e mais informação de acesso gratuito. Sinais dos tempos. Ou talvez não. http://www.elpais.com - site renovado do jornal El País endereço: http://www.elmundo.es/hemeroteca/ categoria: informação European Citizen’s Initiative A European Citizen’s Initiative é um movimento da sociedade civil europeia que tem como objectivo que os cidadãos europeus possam propor sugestões e alterações à legislação europeia. A proposta tem como objectivo dar voz aos cidadãos numa Europa a 25 onde as instituições têm um poder cada vez mais incontestável. A campanha está em fase de angariação de assinaturas e de divulgação. No site da European Citizen’s Initiative é possível consultar os objectivos do movimento, os eventos da campanha, as organizações patrocinadoras e aceder ao formulário para assinara petição. O mote está lançado: «Nós, abaixo-assinados, queremos que a União Europeia dê força legal à Iniciativa dos Cidadãos Europeus, que prevê que um milhão de cidadãos Europeus possa propôr à Comissão Europeia alterações da legislação europeia». endereço: http://www.citizens-initiative.eu/ categoria: cidadania OBSERVATÓRIO DA IMPRENSA Hemeroteca do El Mundo JK ROWLING Bolívia, Diário De Luta YAHOO FOOD Numa altura em que o Google vence a declarada guerra na web, o Yahoo tenta resistir. Recentemente lançou um site dedicado a comida e esta nova aposta é um interessante espaço de passagem. O Yahoo Food inclui várias áreas como receitas, restaurantes, vídeos tutorais e entrevistas a celebridades norte-americanas. A estrela da companhia é a prendada apresentadora de televisão Martha Stewart, que apresenta receitas práticas para o dia-a-dia, ideias para pratos mais sofisticados e dicas variadas para fazer refeições diferentes JK Rowling O novo site da escritora JK Rowling, autora dos famosos livros de Harry Potter, é um espaço de interactividade e animação que permite aos utilizadores navegar por um mundo de mistério. Nesta página dinâmica, a ficção e a realidade confundem-se. O universo de Harry Potter é, afinal, o da própria escritora. O espaço tem um design apelativo e eficaz. Para além do site estar traduzido em várias línguas, há ainda uma versão que foi construída com base em regras de usabilidade e que permitem o acesso a cidadãos com necessidades especiais. endereço: http://www.jkrowling.com/ categoria: juvenil Observatório da Imprensa O site do Observatório da Imprensa está na rede para promover o debate sobre os conteúdos dos media. Depois de uma fase testes, o site está finalmente disponível e conta com uma área destinada a debates propostos por cidadãos comuns. Em destaque uma área sobre jornalismo e cinema. Trata-se de uma excelente compilação com links interessantes, elaborada pelo jornalista Joaquim Vieira – actual presidente da Direcção do Observatório da Imprensa. Para consultar também há uma secção de Clipping sobre a imprensa nos weblogs nacionais, uma área com notas interessantes, espaços dedicados a debates e anúncio de eventos, um arquivo (ainda em construção) de periódicos portugueses, links úteis e um jornal do incrível que apresenta um levantamento do que de mais inacreditável foi publicado. Nesta última secção encontramse “pérolas” publicadas em jornais portugueses como «O suicídio precede algumas vezes a fuga». Criado em 1994, o Observatório da Imprensa é uma associação privada sem fins lucrativos, constituída por um grupo de profissionais ligados à actividade jornalística endereço: http://observatoriodaimprensa.pt/| categoria: jornalismo
Slide 24: PÚBLICA FRACÇÃO 24 T E L E V I S ÃO DE 29 DE NOVEMBRO A 12 DE DEZEMBRO DE 2006 Francisco Amaral O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, esteve em Coimbra no colóquio “Cultura e Comunicação”. O que afirmou o senhor ministro de relevante? Que “a lei da televisão deve prescrever e densificar obrigações culturais”. Esta lei da televisão será a futura lei da televisão. Essa mesma que agora foi anunciada e já foi tratada pelos operadores privados da forma que se esperava: prescrevam o que quiserem que esse medicamento não tomamos. José Eduardo Moniz, director-geral da TVI já veio garantir ser “contra tudo o que interfira com a liberdade do jornalismo e a liberdade da programação, bem como a cedência a lobbies que se revelem autênticos parasitas da televisão”. Ao estilo bem português do “vocês sabem de quem é que eu estou a falar”, Moniz deixa no ar a ideia de que os parasitas da televisão serão, eventualmente, os produtores de conteúdos culturais. Nada que não soubéssemos que ele assim o imaginasse. De alguma forma, esta ideia defendida pelo ministro Santos Silva não deixa de ser uma ideia “peregrina”. Ele considera que há “obrigações evidentes” no serviço público de televisão, mas quer estender franciscoamaral@gmail.com EM MARCHA A REABILITAÇÃO DA BAIXA DE COIMBRA A Baixa de Coimbra é a zona considerada prioritária pela Câmara Municipal no âmbito da reabilitação urbana em curso. Isso mesmo foi afirmado pelo Vice-Presidente da autarquia, João Rebelo, no decorrer de um debate que decorreu na passada semana na Livraria Minerva. A sessão contou ainda com a presença de João Paulo Craveiro (Presidente da Sociedade de Reabilitação Urbana Coimbra Viva) e de Rui Mealha, arquitecto responsável pela solução urbanística da 1ª unidade de intervenção de recuperação da Baixa de Coimbra. João Rebelo justificou as razões que levaram a que a Câmara tivesse escolhido a Baixa como zona prioritária: “Porque é a zona que está mais degradada e porque é aquela onde é mais importante a renovação e colocação de pessoas”, afirmou. Num documento elaborado pela autarquia foram identificadas 8 subzonas prioritárias, das quais a primeira corresponde à área de atravessamento do eléctrico rápido de superfície. “Sendo algo que desde há 20 anos se falava na cidade, deixou de haver naquela área investimento na manutenção e conservação do edificado”, referiu João Rebelo, pelo que é uma zona que “está em profunda degradação e ruína”, sendo necessário, “por razões de segurança, demolir devido ao risco evidente”. estas obrigações, nem que sejam os serviços mínimos, aos operadores privados. Ora o que é peregrino é considerar sequer possível que as coisas se venham a passar como a proposta de lei apregoa. Depois de quinze anos de televisão privada, em que supostamente a actividade das estações de televisão devia ter sido analisada à luz do cumprimento, ou não, dos seus compromissos em função do bem que lhe tinha sido entregue, das duas uma, ou a intenção é boa, mas inocente, ou é fortíssima demagogia. Ninguém acredita que o actual “Estado de direito” em que vivemos, consiga impor seja o que for às estações privadas de televisão. E quando falo em impor, falo em regras. Regras que têm a ver com o respeito pelo público. A actividade privada, seja qual for, não pode servir-se do público a todo o custo. Um restaurante que tenha géneros alimentícios em mau estado, não pode continuar de porta aberta. O problema é que, habitualmente, nenhum espectador aparece nas urgências hospitalares depois de uma ingestão de maus produtos televisivos e torna-se muito difícil comprovar que eles eram nocivos à saúde. O ministro Santos Silva recordou ainda que a “lei portuguesa e a directiva europeia, são claras”, ao impor a difusão de obras criativas em língua portuguesa, bem como de produção europeia. Claras! Como se também aqui, o ser claro fosse sinónimo de coisa a cumprir! Ainda por cima, nesta matéria, os canais estatais que deviam dar o exemplo, fazem perigosas derivas. Veja-se o caso extremo da Dois, que não dispensa no seu prime-time, após o Jornal das 22, de um bloco de séries norte-americanas a que resolveram chamar de “culto” para assim se justificarem. Ainda no colóquio sobre “Cultura e Comunicação”, o mesmo ministro referiu-se à inclusão, na nova lei, da educação para os media. Será o serviço público a ter a seu cargo esta função. Nada de mais correcto, embora muito tardio. O problema, enorme, está em saber como se poderá fazer, hoje, “educação para os media” sem beliscar os canais privados de televisão e o próprio serviço público. Anunciou ainda o ministro que a contra-programação vai acabar. Mas não vai. Da forma como é proposto o combate à contra-programação, tudo, ou quase tudo, ficará na mesma. Parece que finalmente a situação, escandalosa, mereceu a atenção do poder. Mereceu, mas o fundamental foi garantir que se passe a ideia de que “agora isto vai acabar”... desde que não acabe. Assim, veja-se que estão desde logo garantidas as “situações excepcionais que impliquem um prolongamento do telejornal”. Como não deve haver país europeu algum que consiga prolongar tanto os telejornais como o nosso, as circunstâncias excepcionais vão passar a acontecer todos os dias. Para além disto, verificamos que as multas a aplicar, no contexto televisivo, são apenas simbólicas: de 7500 a 35000 euros. Mas o mais espantoso é a antecedência a que as estações de televisão ficam obrigadas para, a partir daí, não poderem fazer qualquer alteração à sua programação. 48 horas! Dois dias! Para quê? Em Espanha, desde 1999 que a programação diária dos canais televisivos tem que ser divulgada com 11 (onze) dias de antecedência. Dois dias não servem para nada, a não ser para dar a ideia de que se está a evitar a contra-programação. Em dois dias não há quase tempo para os diários corrigirem a sua informação... Como é que os leitores das revistas de televisão e dos semanários e seus suplementos terão dessa maneira acesso rigoroso às grelhas de programação dos canais? Não terão. Francisco Rui Cádima interrogou, a propósito: “Que ética de antena, que responsabilidade social, que coerência e consistência se pode reconhecer a um canal que anuncia o que mexe e remexe nas suas grelhas com dois dias de antecedência face ao horário de emissão? Há que ser rigoroso também nesta matéria. E sobretudo há que respeitar o público. Autorizar contra-programação até 48 horas antes da emissão, na prática, redunda numa autorização da contra-programação e na manutenção da ‘selva televisiva’ que prolifera por aí sem qualquer intervenção da ERC nessa matéria em particular.” Como José Eduardo Moniz já antecipou, esta disposição vai ser considerada uma ingerência, um crime contra a liberdade de programação. Pois então aguardemos para ver a força que este governo, tão musculado para uns, conseguirá ter para defrontar os “adamastores da comunicação portuguesa”. Apenas 1.300 habitantes em 14 hectares da cidade João Paulo Craveiro recordou o posicionamento estratégico da Baixa na dinâmica da cidade e revelou que a área a ser intervencionada tem cerca de 14 hectares e uma população de 1.300 habitantes. O Presidente da SRU salientou a necessidade da “criação de condições de atractividade de acordo com padrões de modernidade e conforto”, referindo que a reconstrução dos edifícios “deverá preservar a forma arquitectónica, mantendo o exterior das edificações e renovando o interior”. Deverá ainda ser dada atenção especial ao estacionamento para residentes. A manutenção e incremento de actividades económicas estratégicas é outra das preocupações. “Temos que ter projectos de altíssima qualidade e, por outro lado, temos que conseguir que a intervenção se faça sem vir a originar custos de manutenção de tal ordem que o projecto não tenha sustentabilidade económica”, referiu ainda João Paulo Craveiro. “Coimbra, como cidade histórica que é, não pode continuar a ‘dar-se ao luxo’ de ter o centro histórico e a baixa, nomeadamente, naquele estado. Temos que criar condições para atrair novos moradores que gostem de lá viver e para tal teremos que garantir actividades âncora. Garantir vida intensa quer durante o dia, com as lojas abertas, quer durante o fim da tarde e a noite”, defendeu.

   
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